sexta-feira, 11 de maio de 2012

Saúde Mental


Saúde Mental- Vídeo e tarefa

Vejam o vídeo:

http://www.youtube.com/watch?v=-2O0WlW5pFc

Enquanto futuros médicos, apresentem de forma sintética suas idéias sobre o tema da Saúde Mental. Posicionem-se em relação a luta antimanicomial.
vale 2,0 pontos.

Prazo de entrega: 18/05/2012

58 comentários:

  1. RODRIGO MOTA GOMES

    Acredita-se que as doenças mentais (esquizofrenias, depressão entre outras) causem um desequilíbrio nos neurotransmissores e que esses medicamentos façam com que reestabelecem o equilíbrio. No entanto, não há comprovação suficiente sobre o mecanismo de ação dessas drogas nem sobre a causa dessas doenças.

    A reforma psiquiátrica brasileira começou junto com a redemocratização e com o surgimento do SUS e é baseada no modelo italiano que é a referência para a Organização Mundial de Saúde.

    Hoje o número de CAPS ainda é pequeno, mas cresce cada vez mais e os números de leitos psiquiátricos diminuem. Além disso, O tratamento não fica a cargo apenas dos profissionais da saúde, a família tem uma participação fundamental. O tratamento mental mudou, e hoje ele engloba medicina, psicologia e outras áreas, além de necessitar da participação das famílias dos pacientes.

    Além disso, é importante lembrar que os portadores de doença mental devem ser incluídos não sociedade, e não o contrário. Porém o uso dos manicômios não pode ser visto como algo que seja completamente ruim. A filosofia principal da reforma psiquiátrica é a não internação, mas para isso é preciso da participação familiar. Então o que fazer com aqueles que foram abandonados por suas famílias? Os manicômios seriam a solução para estes. No entanto, o modelo de manicômio não pode ser o tradicional, são necessárias modificações para que os internados sejam tratados de forma mais humana e possam (por que não?), sair dos manicômios e ter uma vida como uma pessoa comum. A luta antimanicomial é sim necessária e tem dado resultado.

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  2. Dia 18 de maio comemora-se o Dia Nacional da Luta Antimanicomial. Essa data serve para refletir sobre a forma como os portadores de doença mental são tratados. Desde a Idade Média os loucos são excluídos da sociedade. No início eram colocados em navios (Nau dos Loucos) e depois passaram a ser isolados em antigos leprosários, que viriam a se tornar “hospitais”. Mas esses “hospitais” não tratavam os loucos, eles serviam apenas como prisões. O louco era tratado como um criminoso e não como uma pessoa que precisava de atendimento médico. Ainda no século XX haviam muitos manicômios e eram empregadas formas de tratamento desumanas. Felizmente em 1987 surgiu o Movimento da Luta Antimanicomial com o lema: “Por uma sociedade sem manicômios”. Com isso vem diminuindo o número de manicômios e aumentando o número de CAPS. O portador de doença mental deve ser acolhido e tratado como ser humano. Deve-se evitar internações e a medicalização sem critério. O bom atendimento nos CAPS, com profissionais que busquem escutar as pessoas com doença mental e as tratem de forma adequada, é necessário. Os tratamentos como aqueles que eram usados no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena devem ser abolidos.

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  3. LUANNA OLIVEIRA MELO



    O autor do vídeo está de parabéns por conseguir recordar através das imagens de forma clara como eram tratados os doentes mentais antes da década de 70. Esses por sua vez eram tidos como “possuídos pelo demônio” e acabavam sendo os males da sociedade da época, já que acreditavam que para os “loucos” não existiam tratamento e acabavam depositando-os nos hospitais psiquiátricos, ou melhor, manicômios, que mais pareciam prisões com sessões de torturas.
    A partir do final década de 70, com a reforma psiquiátrica, algo se tem feito para tentar mudar essa concepção e a forma de tratamento para com os doentes mentais. Um exemplo disso foram às criações de instituições como os Caps, Cras, Creas, as residências terapêuticas, enfim, estabelecimentos que surgiram no intuito de promover a humanização desses pacientes; Apesar de ainda existir manicômios com práticas semelhantes a épocas passadas distribuídos por esse Brasil.
    Precisamos como futuros médicos, nos unirmos e lutarmos contra esses modos de arcaicos de se fazer “tratamentos” que em pleno século XXI ainda existem em alguns hospitais psiquiátricos. Um atendimento visando tratar o indivíduo de forma humanizada e holística, conscientizando-se que o respeito por essas pessoas devem existir e que todos merecem um atendimento de forma digna e que visem um tratamento de forma eficiente proporcionando uma qualidade de vida .
    A luta antimanicomial deve sim ser uma causa de busca constante, pois o sofrimento mental das pessoas com problemas psiquiátricos devem ser trocados por um acolhimento digno e um cuidado humanizado, garantindo direitos e dignidade a esse seres humanos restabelecendo a reinserção destes indivíduos na sociedade, e trazendo verdadeiramente o sentido de se viver feliz , acolhido e bem tratado.

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  4. Carla Maria Valadares Melo

    A Saúde Mental é um campo bastante complexo na área da saúde e que merece muita atenção, visto que o número de pessoas afetadas por transtornos neuropsiquiátricos tende a crescer muito. O modo como os pacientes portadores de transtornos mentais são tratados mudou muito no decorrer dos anos e ainda passa por um processo de mudança.
    Por um longo tempo os “loucos” foram excluídos da sociedade e seu único “tratamento” era a internação em hospitais. No início, essas instituições não tinham nem o caráter médico, serviam apenas para excluir essas pessoas da sociedade. Posteriormente a medicina assumiu a tutela do louco, porém este continuou tendo tratamento desumano com a internação em manicômios e a consequente supressão de sua cidadania.
    Foi com a Reforma Psiquiátrica que se começou a mudar esse quadro. Ao invés de isolar o louco em um manicômio, ele agora seria inserido na sociedade. Com a rede de atenção psicossocial instituída tanto o louco quanto sua família contam com uma rede de apoio para o seu tratamento. Nos CAPS o paciente encontra profissionais que irão lhe acolher, realizar atendimentos médico, psicológico, realizar oficinas terapêuticas, entre outras atividades com o objetivo de lhe inserir na sociedade, evitando a internação. Há ainda o programa “De volta pra casa” que busca inserir o louco no ambiente familiar e, para aqueles que não tem família, há o serviço residencial terapêutico.
    Logo, a Reforma Psiquiátrica foi um movimento importante e que trouxe muitos benefícios para pacientes com transtornos mentais. A luta antimanicomial se faz necessária para evitar que mais pessoas passem pelo que passaram os que viveram em locais como o Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena.

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  5. Ivan Mendes Ribeiro Neto

    O Brasil sempre escreveu sua história se inspirando em outros países. Sua história reflete tardiamente o que de errado, há anos, ja havia ocorrido em outras histórias. As politicas de 'cuidado' que existiam no país foram cópias de fracassadas políticas já antes implementadas na Europa, que, de maneira trágica, mancharam a história e marcaram de maneira negativa milhares de vidas.
    A política de encarceramento de parcelas excluídas da sociedade com o discurso de 'cuidado' já havia sido usada na Europa desde a Idade Média (Hospitais Gerais) e com o decorrer dos anos e do panorama político social da época, se adequava aos interesses das classes dominantes. E foi assim com o advento das Grandes Navegações, da Revoluções Protestante, Francesa e Industrial.
    Nesses grandes locais de internamento, e aqui pode-se exemplificar com o Hospital de Barbacena, não era dado ao paciente um caráter de tratamento médico. Encontrava-se ali, encarcerado e excluso do convívio social, já que o mesmo incomodava e causava desconforto à sociedade da época. A loucura e seus distúrbios não eram vistos com necessidade de tratamentos e intervenções médicas. Foi dado um caráter religioso e espiritual ao quadro no qual esses pacientes se encontravam, o que gerava discriminação e preconceito por parte da população.
    Esse preconceito e discriminação eram a base do 'tratamento' que os pacientes recebiam. Nesses locais, eram tratados como animais, seres destituídos de consciência e entendimento humano, vivendo sem nenhuma qualidade de vida, longe de suas famílias, do convívio social, à mercê de um sistema falho que era apoiado pela sociedade e pelos governantes.
    Felizmente esse panorama começa a mudar quando um caráter de tratamento médico é dado a esses quadros e há início de uma perspectiva de melhora desses pacientes, com o advento do controle das crises. Os 'loucos' passam a ser vistos como pacientes, seres humanos e cidadãos. A institucionalização de políticas e leis que protegem esses pacientes com doença mental garante aos mesmos o cumprimento de direitos básicos de cidadão, como respeito, garantia de sua individualidade, cidadania, capacidade de participar do universo das trocas sociais, de bens, palavras e afeto. Tudo isso por meio da Reforma Psiquiátrica que já começou e se desenvolve até hoje.
    A efetividade dessas mudanças depende do engajamento da área médica, da sociedade, do governo e principalmente das famílias e amigos desses pacientes. A exclusão do convívio, do contato, da história da família nunca foi e nunca será a melhor forma de lidar com o caso. Deve haver acima de tudo paciência, compaixão e muito amor.
    O vídeo mostra de maneira magistral um paralelo entre as faces sofridas, marcadas por um terrorismo e pela falta de humanidade do Hospital de Barbacena e as faces dos pacientes após a mudança, alegres, integrados, cuidados e acima de tudo, respeitados.
    O CAPS e seus projetos já iniciaram de maneira louvável essa mudança, o caminho é longo, muita coisa precisa ser mudada, mas o primeiro passo, essencial, ja foi dado para que nunca mais faces como aquelas do Hospital de Barbacena, tão maracadas, sejam fotografadas.

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  6. Gustavo Guedes de Carvalho

    Saúde mental engloba um conjunto de fatores, como: ter capacidade normativa para gerar relação harmônica com a realidade e com os próximos, capacidade de criar atividades cognitivas e racionais e apresentar funções mentais preservadas como, por exemplo, memória e emoção compatível com a realidade. Vale ressaltar, que a saúde mental não possui uma definição consolidada, mas para “avaliá-la” deve-se considerar fatores fisiológicos, psíquicos e sociais, como as crenças e os valores de cada indivíduo.
    A perda da “homeostasia” mental é gerada em diversos contextos, tais como: mal estar psicológico, como o estresse, sono, insônia; dependência química por drogas, como o álcool, crack, drogas ilícitas em geral; perturbações psíquicas e neurológicas como a esquizofrenia, depressão, demências, doenças neuro degenerativas e até por doenças idiopáticas.
    Tais disfunções e desordens mentais geram seus respectivos sofrimentos e desvios da normalidade. O “tratamento” para estes era realizado com isolamento dos pacientes em hospitais psiquiátricos, juntos a outros pacientes com seus distúrbios mentais (os chamados loucos), dependentes químicos, dentre outros. Porém, esses hospitais além de tratar com essa forma isolada da sociedade, não os tratava de forma humana. Daí surge, a luta antimanicomial, movimento extremamente necessário e muito importante para mudar esse contexto, que aos poucos evolui para com os tratamentos de forma não institucional e multidisciplinar, com os CAPS. Essa luta inclusive preocupa-se com um aspecto muito importante e delicado que é o auxílio à família do paciente, que na maioria das vezes sofre junto e não tem ideia do que fazer ou até mesmo não aguentam tais situações.

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  7. Raquel Santana Ramos Oliveira.
    A saúde mental tem seu histórico baseado em manicômios onde eram abandonadas pessoas marginalizadas pela sociedade. Nessas instituições, faltava-se o básico para uma vida simples e digna, recebia-se péssimo tratamento, por vezes desumano, e nenhuma ajuda ou resolução dos problemas. Geralmente, quem ia a esses lugares estava fadado a permanecer por lá até sua morte sem chances de cura. Muitos morreram nesses abrigos até que houvesse na década de 70 a reforma psiquiátrica e, posteriormente, o surgimento do SUS e do programa público de saúde mental.
    A saúde mental é uma área da medicina que merece o mesmo cuidado e atenção que as demais áreas, portanto a necessidade do governo de investir nela da mesma forma que as demais. Já houve grande evolução do modo de tratamento dos doentes principalmente com a instauração da saúde mental nas políticas públicas da saúde. Esse programa, o CAPS, universalizou, democratizou e trouxe maior dignidade e respeito aos doentes além de estabelecer o tratamento adequado para os eles. Parte importante do programa é a restituição o doente à sociedade, pois, mostra-nos a igualdade como seres humanos e nos ensina a conviver com as diferenças e que essas não são necessariamente ruins e acabar com preconceitos; o atendimento baseado na conversa e atenção aos problemas dos doentes procurando entender a origem dos distúrbios. Esses programas mostram-se mais eficientes que a medicalização maciça e a isolação executada no tratamento manicomial do passado.

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  9. RODRIGO GUIMARÃES AMARAL

    Sabe-se que atualmente 3% da população da população Brasileira sofre com transtornos mentais severos e persistentes e que 12% necessitam, de forma contínua ou eventual, de atendimento em saúde mental. Diante desses dados, evidencia-se a importância da discussão do tema da Saúde Mental.
    Antes da Reforma Psiquiátrica, os portadores de doenças mentais eram vistos como entraves à sociedade e, por isso, deveriam ser excluídos. Assim, eles eram isolados da comunidade e enviados para os hospitais psiquiátricos- os manicômios. Nessas instituições, o louco era abusado, espancado e extremamente mal tratado, vivendo, assim, em condições sub-humanas como foi retratado no vídeo.
    Na década de 70, com o início da Reforma Psiquiátrica, introduziu-se um novo modelo de tratamento para os portadores de doenças mentais. Tal Reforma propõe, ao invés do isolamento até então vigente, o tratamento com o convívio na família e na comunidade. Para isso o atendimento a tais pacientes são realizados no CAPS( Centro de Atenção Psicossocial) Assim, o antigo modelo hospitalocêntrico vai sendo gradativamente substituído por essa nova forma de tratamento.
    Portanto, a Reforma Psiquiátrica é um marco na evolução do tratamento dos portadores de doença mental. Tal reforma é extremamente importante e deve continuar a ser implementada. Somente assim, teremos um tratamento mais humanizado para esses pacientes, tentando de reintegrá-los ao convívio social e familiar e melhorando sua qualidade de vida.

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  10. DEBORA RIBEIRO MENDONÇA

    No ano de 1978, tem-se o início do movimento social pelos direitos dos pacientes psiquiátricos.É a partir deste movimento que se inicia a denúncia da violência dos manicômios,da mercantilização da loucura, das vantagens da rede privada de assistência e a crítica ao modelo hospitalocêntrico na assistência as pessoas com transtornos mentais. A partir da experiência italiana de desinstitucionalização e crítica ao manicômio, surgem as primeiras propostas de reorganizar o modelo de assistência. Em 1987, surge o primeiro CAPS no Brasil e dois anos depois, o início do processo de intervenção em um hospital psiquiátrico onde tinha maus-tratos e mortes dos pacientes. Essa intervenção tem repercussão nacional e motiva a possibilidade de substituição dos hospitais psiquiátricos. Neste período, são criados os Núcleos de Atenção Psicossocial em Santos, representando um grande marco na reforma psiquiátrica brasileira. É a partir do ano de 1992, que conseguem aprovar em vários estados brasileiros as primeiras leis que determinam a
    substituição progressiva dos leitos psiquiátricos por uma rede integrada de atenção à saúde mental. Neste período são implantados os serviços de atenção diária, fundadas nas experiências dos CAPS, NAPS e Hospitais-dia.Só 12 anos depois, a Lei Federal 10.216 põe em vigor um modelo de assistência privilegiando o oferecimento de tratamento em serviços de base comunitária, dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas com transtornos mentais, mas
    não institui mecanismos claros para a progressiva extinção dos manicômios. Somente após a III Conferência Nacional de Saúde, que linhas específicas de financiamento são criadas pelo Ministério da Saúde para os serviços abertos e substitutivos ao hospital psiquiátrico e novos mecanismos são criados para a fiscalização,
    gestão e redução programada de leitos psiquiátricos no país. Dessa forma,tem sido realizada a luta anti-manicomial com o objetivo de descentralizar cada vez mais a assistência aos pacientes com transtornos mentais, sendo mais utilizada uma assistência comunitária baseada nas CAPS ou nas residências terapêuticas, oferendo assim uma melhor qualidade de vida a esses pacientes e uma reabilitação mais rápida do seu estado de saúde.

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  11. André Luiz Lima de Melo

    Ao longo de anos de história, nota-se claramente que o campo da saúde mental sempre foi deveras incompreendido. A princípio, as manifestações dos transtornos mentais eram associadas a fenômenos de ordem sobrenatural, sendo, desse modo, muito temidas. Mesmo nos tempos atuais, entretanto, permanece sendo uma área ainda envolta de certa incompreensão e preconceito. Mesmo no século XX, os chamados manicômios eram considerados o melhor “tratamento” para os casos mais graves.
    Deve-se ressaltar, contudo, o intenso esforço em mudar tal situação. Em 1990, um reflexo desse esforço se fez notar através da Declaração de Caracas, que buscava promover a superação dos abusos praticados nos hospitais psiquiátricos. Tal superação é, de fato, necessária, visto que um indivíduo apresenta inúmeras necessidades e dentre elas, a de convívio social, algo que de nenhuma maneira era contemplado no confinamento manicomial. Por isso, a Reforma Psiquiátrica que vem sendo feita é praticamente uma obrigação do ponto de vista dos Direitos Humanos. O tratamento em Unidades Psiquiátricas em Hospitais Gerais não deixa de ser uma opção terapêutica em certos casos, mas a inclusão de alternativas como os CAPS e os Serviços Residenciais Terapêuticos; e de programas como o De Volta para Casa e a política de atenção integral a usuários de álcool e outras drogas, indubitavelmente abrem um leque de opções muito mais adequadas às necessidades individuais sendo, portanto, indispensáveis para um tratamento mais humano e harmonioso.
    Apesar disso, não se pode olvidar de que muito ainda precisa ser feito para que o atendimento ao portador de distúrbio mental seja realizado com qualidade. Infelizmente, a verba destinada para o âmbito da saúde mental não é satisfatória. Certos dados epidemiológicos ajudam a elucidar tal disparidade entre demanda e investimento, uma vez que 12% da população geral necessita de algum atendimento em saúde mental, seja ele contínuo ou eventual, e apenas 2,3% do orçamento anual do SUS se destina à Saúde Mental. Além disso, os casos de transtornos mentais possuem uma tendência clara a aumentar, sendo estimado que chegue a afetar 15% da população até 2020.
    Tendo em vista o exposto, considero a luta antimanicomial necessária. Ao menos, no nosso país, o refinamento da política de Saúde Mental vem progredindo, mas um avanço quanto ao comprometimento dos diversos profissionais da política, da saúde e dos administradores das diversas instituições terapêuticas é fundamental para que a bela teoria dessa política se reflita de modo cristalino na prática diária.

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  12. TÁSSIA MAYARA CARDOSO RODRIGUES


    Ao longo dos séculos a cultura manicomial foi sendo construída. No século XVIII à medida que a lepra foi desaparecendo gradativamente os antigos leprosários vão se transformando em hospitais gerais para onde são levados não apenas os loucos como também pessoas marginalizadas da sociedade. A grande critica a ser feita a esse momento da historia era que essas pessoas recebiam como único tratamento para a loucura a exclusão, pois o louco era considerado um causador de mal estar, de incomodo para a sociedade.
    Os manicômios são instituições que fazem um verdadeiro sequestro da liberdade das pessoas que perdem o principio mais básico que é o direito de ir e vir. Essa liberdade dentro dos manicômios é retirada de forma brutal, pois os seres humanos vivem de forma encarcerada, sem a mínima dignidade . Com o passar do tempo algumas coisas obviamente melhoraram dentro dessas instituições. As pessoas com problemas mentais passaram a receber tratamento de especialista, porem de forma ainda muito precária.
    Hoje, um dos desafios no campo da saúde mental é justamente a luta contra essa cultura manicomial, os CAPS surgem como consequência dessa luta e é uma grande conquista no sentido de que com a ideia do CAPS esses pacientes ganham a liberdade e não perde o contato com a sociedade, alem de receber tratamento multidisciplinar. Iniciativas como a que foi feita pelo Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena é brilhante, pois pessoas com problemas mentais não devem ser mantidas escondidas da sociedade simplesmente porque a sociedade não aprendeu a lidar com as diferenças.

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  13. Kleuton Santana Rabelo


    Desde muito tempo a loucura tem sido tratada como uma doença contagiosa. Na Idade Média os loucos eram tratados como leprosos e enviados a leprosários ou em viagens nas chamadas Naus dos Loucos. Com o tempo esses locais mudaram de nome, passaram a se chamar hospitais gerais , hospício, sanatório e manicomio, mas o que importa mesmo é que eram lugares onde isolavam da sociedade as pessoas com doenças mentais.
    Em 1978 junto com a crítica ao modelo hospitalacêntrico começou a reforma psiquiátrica no Brasil, partido da idéia de reintegração social do doente mental em vez do isolamento. Com isso resolveu-se atrelar o tratamento do doente mental a Atenção Básica, e em 1987 foi criado o primeiro CAPS do Brasil no estado de São Paulo. O CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) é como um posto de saúde voltado apenas para a saúde mental e tem como objetivo acolher e atender o doente mental visando preservar e fortalecer os laços sociais do paciente em sua comunidade, evitando assim internações em hospitais psiquiátricos.
    Dia 18 de maio é o dia da luta antimanicomial, e é nesse dia que se comemoram os avanços na forma de tratamento dos doentes mentais, deixando para trás as atrocidades mostradas no vídeo Museu da Loucura-Barbacena MG cometidas antes da reforma psiquiátrica. As mudanças são muito importantes para que esses pacientes possam execer seus direitos e ter uma vida plena.

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  14. Louise Lorena Araújo São Mateus Correia

    O vídeo retrata bem sobre o descaso que acontecia no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (CHPB), criado em 1903 e instalado onde antes servia para tratar tuberculosos. Esse hospital recebia, no início, todos os pacientes ditos “loucos” do país, entre eles estavam alcoólatras, sem tetos, portadores de deficiência e pessoas renegadas pela sociedade e pela própria família. Com o passar do tempo, o hospital passou a funcionar como uma verdadeira “prisão”, onde todos que entravam nunca conseguiam sair, pois eram tratados como animais (dormiam em montes de capim e feno, onde a maioria das vezes morriam asfixiados, comiam em cochos cuja comida era jogada no chão). Esse centro hospitalar funcionava como a maior fonte de venda de cadáveres para universidades de Medicina de todo o país. Mas na virada de década de 70 para a de 80, essa percepção da loucura passou a mudar e isso foi simbolizado no carnaval de 1998, onde 300 internos desfilaram num bloco de rua em Barbacena.

    Desde a década de 70, vem se discutindo bastante sobre Saúde Mental no País haja vista que, a cada dia, o número de pacientes psiquiátricos aumenta ainda mais e precisam de um atendimento adequado e humanizado. E, para isso, foram criados os CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) com o objetivo de substituir os antigos hospícios e manicômios sendo que o número de CAPS está aumentando a cada dia e havendo uma conseqüente queda no número de hospitais psiquiátricos. Mas há um problema na saúde brasileira que é o fato de a proporção de pacientes psiquiátricos ser bem maior que a de CAPS, levando a ser um problema de Saúde Pública. Em um futuro próximo, a tendência é que a luta antimanicomial vença essa batalha contra o preconceito da sociedade perante os pacientes psiquiátricos.

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  15. Mayne Batista Fontes Santos

    No que concerne à saúde mental, presenciamos incontáveis discussões embasadas na evolução da história psiquiátrica brasileira.A saúde mental sempre foi uma área vítima de preconceitos e cujas resoluções eram agressivas com aqueles que necessitavam de assistência.
    O Hospital Psiquiátrico de Barbacena é um dos vários exemplos de hospitais que recorriam à violência e à oferta de tratamentos desumanos destinados aos seus internos.Neste vídeo, fica evidente que este hospital remetia bastante à estrutura vigente em Paris, por exemplo, em 1656, ano em que foram criados os Hospitais Gerais.Estes não tinham caráter de tratamento médico, mas de instituições de internamento e recebiam não só os portadores de transtornos mentais, mas todos os grupos que eram considerados como detentores do “potencial de instalar a desordem na sociedade europeia”.E não era dessa maneira que ocorria em Barbacena? O “Trem de Doidos” que chegava à Barbacena não nos lembra a conhecida e medieval “Nau dos Loucos”, que “abrigava” aqueles que eram transferidos ― para não dizer escorraçados ― para outras cidades pela sua condição mental?
    Após ter acesso à leitura “História da Loucura na Idade Clássica”, de Foucault, Franco Basaglia incrementou ainda mais as suas bases e, como resposta à crise do modelo hospitalar vigente, iniciou, ao final dos anos 70, o processo de reforma psiquiátrica, que teve como principal objetivo transformar a maneira como abordávamos a questão da saúde mental e negar absolutamente o modelo hospitalocêntrico. Vale lembrar que não é pelo fato dessa reforma se inserir na questão da saúde que ela deixa de ter um contexto sócio-político. Seria utopia acreditar que atualmente o modelo psiquiátrico funciona de maneira perfeita.É óbvio que ainda temos muito a melhorar, mas não se deve ignorar o fato de que grandes mudanças ocorreram com a Reforma Psiquiátrica e que as condições destinadas a essa vertente tem melhorado de maneira grandiosa a atenção aos pacientes portadores de transtornos mentais. Assim, tivemos o advento dos CAPS (Centros de Atenção Psicossocial), por exemplo, que, diferentemente do modelo hospitalocêntrico, tem objetivos de oferecer acompanhamento clínico aos portadores de transtornos mentais e de reinserí-los no âmbito social e político.
    Como estudante de medicina e futura profissional da área, acredito que o que deve ocorrer não é apenas o presenciamento, mas, sim, a nossa participação nessas discussões.Temos acesso, hoje, a artigos, vídeos e uma série de outras fontes que nos podem dar informações acerca do tema.Acredito que todos nós compartilhamos a ideia de que nos foi dada a grande missão de trabalhar com vidas e temos, não só a obrigação, mas também o direito de saber o que ocorria e como evolui o modelo psiquiátrico brasileiro para que, independentemente de especializações, não só tenhamos conhecimentos biológicos acerca da saúde mental, mas que tenhamos o feeling necessário para tratar esses pacientes da melhor maneira possível.

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  17. Rubens Cruz Silva Filho
    Os primeiros relatos sobre portadores de deficiências mentais foram feitos há muitos séculos atrás. Desde os primórdios, tais indivíduos são vistos por grande parte da humanidade como casos os quais não podem ser encaixados na lógica social existente. Foram utilizadas diversas ferramentas no intuito de tentar reprimir a sua existência: abandonos, castigos físicos, internações nos chamados Hospitais Gerais etc. Mesmo quando passou aos cuidados médicos o deficiente mental ou “louco” (como é caracterizado por muitos) continuou a ser destratado como foi mostrado no vídeo.
    A reforma psiquiátrica surgiu no Brasil no final da década de 70. Buscava, através da criação de um estatuto, respeitar a individualidade do doente e dessa forma incluí-lo no plano social. O que se observou ao longo dos anos foi uma busca de reversão do antigo quadro existente. Programas como o CAPS buscam usar técnicas alternativas aquelas usadas nos manicômios sem ser um afronte aos direitos do doente.
    A luta antimanicomial, no entanto, não pode se resumir aos profissionais de saúde. Ela deve ser aderida tanto por familiares da pessoa afetada como também pelos demais setores da sociedade. Como estudante de medicina acredito que deveria também ocorrer uma mudança de postura por parte da classe médica em relação a esse tipo de caso. O médico deveria parar de observar o paciente como um sistema orgânico com defeito e visualiza-lo como um indivíduo como qualquer outro. Somente com esse tipo de mudança de mentalidade poderemos criar um sistema de saúde ainda mais eficiente.

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  18. Luciana Franca Dantas Passos

    O direito à saúde mental é um direito fundamental do cidadão, previsto na Constituição Federal, visando assegurar bem-estar mental, integridade psíquica e pleno desenvolvimento intelectual e emocional.
    No Brasil, esse direito é amparado pela Lei e já conta com o acesso gratuito e facilitado a vários serviços públicos de atenção e auxílio. Esse auxílio pode ser buscado em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) ou uma unidade do programa de Saúde na Família.
    Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) são instituições criadas, no final da década de 80, em substituição aos hospitais psiquiátricos. O objetivo deste novo modelo de tratamento é fortalecer e preservar os laços sociais das pessoas atendidas por meio de atividades de inserção na comunidade em que vivem, diferente dos manicômios onde os pacientes são privados do convívio social. Ademias, os CAPS oferecem assistência a crianças e adolescentes, usuários de drogas e de álcool.
    A Reforma Psiquiátrica ou Luta Antimanicomial é justamente essa mobilização social, que já dura cerca de vinte anos, e propõe a reformulação das políticas públicas de saúde mental. Essa reforma objetiva abandonar o modelo asilar, invasivo e opressor, fundado sobre a discriminação e a segregação de pessoas, que eram retiradas de seus campos de convivência e privadas de liberdade. Dessa forma, eram tolhidas de seus direitos de cidadãos. A substituição por um conjunto de serviços abertos e comunitários visa garantir à pessoa com transtorno mental o cuidado necessário para viver com segurança em liberdade, no convívio familiar e social.

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  19. Igor Lobão

    Durante a Idade Média na França as pessoas que eram taxadas de loucas eram levadas, mesmo contra sua vontade, para os Hospitais Gerais, que eram instituições responsáveis por “limpar” as ruas das cidades. Tais instituições não tratavam os loucos, apenas serviam de prisão. A Revolução Francesa veio com o lema de liberdade, igualdade e fraternidade, o que colocava os Hospitais Gerais na ilegalidade, pois agora todos os cidadãos eram considerados iguais uns aos outros e gozariam de liberdade. A partir de agora era necessária uma justificativa para internar os loucos em instituições psiquiátricas. Foi a partir daí que se inseriu a figura do médico no diagnostico psiquiátrico, pois só depois desse diagnóstico era possível internar um paciente.
    No Brasil não foi diferente, durante anos os pacientes psiquiátricos sofreram com maus tratos em manicômios, como vistos no vídeo sobre o Hospital de Barbacena, nos quais eram internados contra suas vontades e estavam fadados a morrer ali sem os mínimos cuidados. Após a reforma psiquiátrica, com a criação dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), isso começou a mudar, o paciente com transtorno mental agora recebe um tratamento multidisciplinar que visa, com o apoio da família, reinserí-lo na sociedade.
    A reforma foi de extrema importância para os pacientes psiquiátricos que passaram a ser tratados com mais respeito e dignidade, servindo também para quebrar a barreira de alguns preconceitos.

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  20. Joara Santos Almeida
    O vídeo sobre o Hospital Psiquiátrico de Barbacena retrata apenas uma parte do sofrimento dos “loucos” no hospital psiquiátrico. Como visto no texto “A história da loucura” de Foucault, já na Idade Média eles eram vistos de forma preconceituosa. Nesta época, as pessoas que possuíam atitudes diferentes das consideradas “normais”, como sair nu de casa, falar mal da família do Rei ou mesmo procurar respostas para perguntas nunca realizadas antes (no caso dos gênios e cientistas), eram vistas como ameaça à sociedade, embora nunca tenha feito mal de fato. Elas foram expulsas de sua própria cidade e, muitas delas, jogadas em embarcações sem rumo, pois “os loucos eram agitados, incertos e misteriosos como o mar”. Logo após, mandaram os doentes mentais para os Hospitais Gerais, que tinham como função abrigar os pobres, ébrios, prostitutas, vagabundos e loucos sem objetivos terapêuticos. Com a Revolução Francesa, apenas os loucos continuaram aprisionados, porém agora com tratamento psiquiátrico. Mesmo com tais mudanças, eles eram maltratados e discriminados pela população, sendo muitas vezes aprisionados através de correntes em quartos pelos seus familiares.
    É vergonhoso admiti que mesmo depois de séculos, a atitude social em relação aos loucos não tinha mudado. Como mostra o vídeo, em pleno século XX, eles continuavam sendo aprisionados em locais distantes da cidade, com poucas condições de higiene, alimentação e lazer. Eram maltratados pelos profissionais da saúde e outros funcionários do hospital e ainda tinham seus corpos negociados como se fossem objetos para as Faculdades de Medicina.
    A Reforma Psiquiátrica, início da década de 70, contribuiu para a integração do louco à sociedade, com a eliminação dos Hospitais Psiquiátricos, ainda não completamente, e a formação de centros de apoio psicossociais (CAPS), centro de referência de assistência social (CRAS), centros de convivência e cultura assistidos, cooperativas de trabalho protegido, oficinas de renda e residências terapêuticas. Essa integração é terapêutica para o paciente, uma vez que fornece acesso à moradia adequada, oportunidade de trabalho, acesso à cultura, liberdade e direito como ser humano. Ainda há internamento em hospital, porém só quando houver crises e por tempo determinado.
    Deve-se olhar para os doentes não só como profissionais da área da saúde, mas também como pessoa. Colocar-se no lugar do outro e percebe como gostaria de ser tratado é fundamental para um tratamento de qualidade. As pessoas para melhorarem precisam estar bem consigo mesma. Uma alimentação de qualidade; um espaço para mostrar sua criatividade, como para música, pintura, teatro; um lugar confortável para repousar; ser tratado com respeito, tudo isso é primordial para o bem da saúde mental.

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  21. Fredisson Porto Melo

    Saúde mental é entendida em geral como sendo o contrario de doença mental, ou seja, ausência de psicopatologias. Porém a ausência de sintomas psiquiátricos não significa necessariamente ter saúde mental. Para tal é necessário ter a capacidade de enfrentar os problemas da vida com sensatez e equilíbrio psíquico. Existem alguns indicadores de saúde mental como; inteligência emocional, autonomia, estabelecer relações afetivas estáveis, adaptação social, entre outras. Pessoas com saúde mental normalmente sente-se bem, feliz, alegre, tem um autocontrole, e para chegar a essa situação não necessita de uso de drogas, ou outros comportamentos. É importante salientar que existe momentos nos quais esse equilíbrio vai está alterado, mas isso não significa ausência de saúde mental. Indica apenas um momento de experiências emocionais negativas, como a perda de um ente querido. E o fato de saber lidar com esse momento já indica saúde mental.
    Não é fácil conceituar saúde mental, pois é um tema complexo, que exige uma analise muito profunda. No entanto é de se esperar que uma pessoa que busca manter um equilíbrio psíquico, buscando ter o mínimo de estresse possível, fazer atividades físicas regulares, dormir bem, com um bom sono reparador, equilíbrio no trabalho, na vida social, vai ter uma grande possibilidade de ter uma saúde mental mais presente.
    No entanto, nem sempre é possível se ter saúde mental absoluta. Existem pacientes que necessitam de uma ajuda para que possam melhorar, ou se aproximar de uma saúde mental, como pacientes que possui algumas doenças psicopatológicas importantes a exemplo da esquizofrenia. E apesar de a saúde mental ser normalmente avaliada pela psicologia e psiquiatria, necessita na verdade de uma multidisciplinaridade.
    O dia 18 de maio é uma data muito especial, pois marca o encontro dos trabalhadores da saúde mental, ocorrido em 1987, data que marca o movimento antimanicomial no brasileiro.
    Até a década de 80 a única forma de tratar os doentes mentais era o asilamento e violência institucional. No entanto no final da década de 70 ocorreram no Brasil movimentos antimanicomial que deram início a uma nova forma de tratamento dos pacientes com problemas mentais. O grande marco destes movimentos foi na década de 80, quando ocorreu uma ruptura do modelo até então vigente, com a reforma psiquiátrica brasileira. A partir de 1987, uma nova forma de tratamento, baseado no modelo italiana foi criada. Neste momento surgiram os CAPS, que apesar de todas as dificuldades enfrentadas é o surgimento de novo paradigma no tratamento da saúde mental.
    No entanto, segundo o ministério da saúde, infelizmente ainda temos pacientes, com doença mental, sendo tratado em hospitais, o que é extremamente inaceitável. Segundo Franco Basaglia: a psiquiatria, desde seu nascimento é uma técnica altamente representativa que o estado sempre uso para oprimir os doentes pobres, isto é, a classe operária que não produz. Outra análise que pode ser feita sobre o tema é cunho capitalista, no filme brasileiro, Bicho de Sete Cabeças, dirigido por Lais Bodanzky, conta a história de garoto que as 17 anos foi colocado dentro de manicômio porque seu pai encontrou maconha dentro da sua roupa. Durante uma período de aproximadamente três anos ele ficou internado sem ao menos ser ouvido por um médico.
    Em fim, a luta contra o fim dos manicômios deve continuar cada vez mais forte, pois é totalmente inadmissível que tenhamos atualmente tratamentos da doença mental, tão ultrapassados ainda em vigência no nosso país. Porém para que essa luta não enfraqueça precisamos que toda a sociedade participe da luta.

    Aracaju-se 18 de maio de 2012

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  22. Luciana Alice
    Mediante a leitura do livro: “História da Loucura na Idade Clássica”, de Foucault constituí alguns conhecimentos sobre a história das instituições destinadas aos pacientes de doenças mentais que durante muitos anos foram tratados de maneira errônea pela sociedade em diversos países e no Brasil não poderia ser diferente. No decorrer da história as instituições destinadas para abrigar os loucos sofreram várias modificações. De início serviam para “limpar” as ruas das cidades em desenvolvimento, então mendigos, deficientes, pessoas com doenças mentais eram internados em locais longe das cidades para parecer que aquela cidade não tinha problemas. Estes eram rejeitados e trancafiados em locais bem distantes do convívio social. Lá esses pacientes eram obrigados a trabalhar, além de serem maltratados. Com a evolução da história os doentes mentais passaram a ser responsabilidade dos médicos (psiquiatras), entretanto, esses pacientes não deixaram de ser maltratados, muito pelo contrário, continuaram a ser abandonados pela própria família e sociedade e a receber castigos físicos ainda mais violentos como os mostrados no filme. Esses indivíduos sofreram com as diferentes formas de tratamento ditas curativas pelos médicos, o Hospital Psiquiátrico de Barbacena é uma mostra do acabei de dizer, nos quais os doentes mentais eram internados contra sua vontade e permaneciam lá ate morrem como em uma prisão perpétua. Estas instituições recorriam à violência e à oferta de tratamentos desumanos para com os seus pacientes que não tinham direito a condições básicas de higiene, alimentação e por vezes morriam e só eram notados dias depois. Nos dias atuais, mesmo com o capitalismo ainda prevalente semelhante ao que ocorria na época do Hospital de Barbacena, em que o benefício da venda de corpos superava a sensibilidade humana, percebo que a sociedade opta por mudanças bem acentuadas quando se trata de doentes mentais. A criação dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) nos mostra isso, no momento em que opta por uma estrutura multidisciplinar, na qual a família tem um papel fundamental de apoio ao doente na tentativa de incluí-lo em uma sociedade que tanto o rejeitou.

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  23. Luana Costa Nascimento

    O doente mental nunca foi tratado com cuidado e respeito. Desde a idade média que os chamados loucos eram motivo de vergonha para a família e internados nos chamados hospitais gerais, instituições sem objetivo de cura cuja única função era retirar do convivio social os indesejáveis.
    Os hospitais gerais evoluiram para os manicômios onde os loucos eram internados, tratados com choques, surras e desrespeito.... A situação era precária, a higiene deficiente e o tratamento dispensado não era resolutivo.
    Até que em 1970 houve a reforma psiquiátrica que tentou mudar não só o tratamento do doente mental mas também a forma com que eles eram vistos na sociedade. Surge o atendimento multidisciplinar, os CAPS, as residências terapêuticas em detrimento dos antigos manicômios.
    Hoje o tratamento primordial é inserir o doente mental na sociedade, o internamento é a última opção. O doente é tratado com respeito e tem acompanhamento de diversos profissionais.
    A reforma psiquiátrica melhorou muito a qualidade de vida do doente mental mas ainda tem muito o que melhorar. O preconceito ainda existe e a quantidade de CAPS, residências e profissionais ainda e muito reduzido....

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  24. Luana Helena Martins Lucas
    Hoje, dia 18 é dia da luta antimanicomial que traz como slogan: trancar não é tratar.Mas será que trancar não trata?Será que prender não resolve? Afinal eles não têm solução mesmo...
    Vou começar falando um pouco da história do movimento antimanicomial do Brasil , da qual escuto desde cedo .O fato de meu avó ter sido diretor de manicômio ( Renato Lucas) e lutar no movimento antimanicomial me intrigou muito , achava um paradoxo , então decidi escutar tudo que tinham para me dizer e tentar entender. Meu avó era filho de italianos e desde cedo escutava sobre a luta antimanicomial .
    Mas o que seria esse tal movimento?
    É uma luta por transformações no serviço psiquiátrico que tem o dia 18 de maio como data de comemorativa no calendário nacional brasileiro. Esta data remete ao Encontro dos Trabalhadores da Saúde Mental, ocorrido em 1987, na cidade de Bauru, no estado de São Paulo.
    Mas em que progrediu essa luta?
    No ano de 1841 na cidade do Rio de Janeiro, que era um abrigo provisório, logo após surgirem outras instituições como hospícios e casas de saúde , sendo que nesses locais as pessoas eram trancadas e nunca se ouviu falar de ninguem que saiu recuperado e são raríssimos os que saíram vivos para contar história. Estes eram locais sem condiçoes adequadas de higiene, chegava a faltar pratos e ainda eram feitas lobotomias , além de o eletrochoque ter destaque como prática terapeutica.
    Somente agora no final do século XX é que a militância por serviços humanizados conseguiu as primeiras implantações de Centros de Atenção Psicossocial os CAPS, locais para os quais o individuo vai para receber tratamento , mas retorna a sua família sem ser excluído do convívio .
    Em 2001 que a Lei Paulo Delgado foi sancionada no país privilegiando o oferecimento de tratamento em serviços comunitários, fala sobre a proteção e os direitos das pessoas com transtornos mentais, mas não fala claramente sobre o fim dos manicômios. Muito ainda falta , mas muito já se conseguiu.
    Mas o que é o louco?
    Achei em um dicionário na internet algumas definiçoes para louco: doente( insano), delirantee até de indivíduo com disritmia cerebral.
    Primeiramente, não há uma alteração fisiológica cmprovada cientificamente que me permita classificar alguem como louco , a análise é meramente comportamental. É importante citar que algo distoante em determinanda sociedade pode ser normal em outra. Então o louco para uns pode ser normal para outros.
    Em segundo lugar, oque vem a ser pensamento delirante? Pensamento delirante é algo não compartilhado por mais ninguém que foge a realidade e tem uma certa extravagância.Mas que seria da humanidade sem os grandes gênios? Esses precisaram sair da realidade, buscar o não existente . O que seria da gente sem a física de Newton ? Mas aceitar o novo , o diferente nao é mesmo fácil até Galileu até teve que desmentir suas descobertas.
    Por fim a classificação de louco como indivíduo com disritmia cerebral quando li isso me espantei, pois não se pode dizer que há um ritmo cerebral padrão em pessoas tidas como saudáveis. O que há é uma certa regularidade em pessoas epilépticas no momento de crise.
    Então trancar é a melhor soluçao para tratar indivíduos com caracteristicas distoantes?
    Olhe a sua mão e olhe cada um dos seus dedos : cada um é diferente , mas todos estão aí na sua mão lhe auxliando de alguma formaNão, trancar nao é tratar. Trancar pode até ser a saída mais fácil de retirar aquilo que está atrapalhando,afinal, excluir é mais fácil do que incluir.
    Para os que só pensam na questão financeira : trancar é caro. Para os que têm amor no coração: trancar é desumano.Para os que têm parentes que amam: trancar é afastar. Manicômio tranca, prende e até a constituição prega a liberdade , mostranto que prender não deve ser coisa boa...

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  25. FLÁVIA MARIA MATOS MELO CAMPOS

    A saúde mental é algo muito complexo e que trás consigo um estigma muito negativo e muito difícil de mudar. A ideia de loucura já passou por muitas fases e diversas formas de tratamento. A loucura já foi interpretada como tudo aquilo que se fugia aos padrões de pensamento da época e o tratamento era a expulsão dos doentes dos ambientes que viviam os "normais". Com o passar do tempo a ideia do que é ser louco mudou em muitos aspectos mas o tratamento dado de escurraçamento demorou e muito a mudar. O que perdurou por muito tempo foi a ideia do manicômio. O manicômio era o lugar usado para excluir todas as pessoas que apresentassem distúrbios mentais. A ideia de exclusão não expressa o que realmente ocorria com essas pessoas. Elas dormiam no chão, comiam no chão, andavam sem roupas,sem nenhuma higiene, sem direito a falar, se expressar ou se quer, pensar. Eram totalmente negligenciadas, viviam como animais. Não! Os animais de hoje recebem um tratamento muito melhor que aquelas pessoas. O manicômio de Barbacena, um dos mais famosos do Brasil, mostra bem isso. A ideia de loucura era associado a um ser inerte, sem desejos, deveres, sentimentos, pensamentos. Nada! Na verdade não é nenhuma novidade o ser humano fazer isso. O ser humano sempre expurgou as pessoas que são diferentes.
    Hoje o nosso sistema de saúde conta com o CAPS. Um centro que ajuda as pessoas que tenham quaisquer tipos de distúrbios mentais que precisam ser ajudadas e não anuladas.Lá os "loucos" recebem tratamento psicológico, psiquiátrico, fazem terapia, trabalham, estudam e são reinseridos na sociedade de uma forma natural. Além disso há o programa "De volta pra casa" que tenta reinserir a pessoa no seu ambiente familiar que por vezes já esta desgastado com o sofrimento que alguns distúrbios levam a causar. O CAPS surge pra abrir um caminho novo e maravilhoso de inserção do paciente à sociedade. Sem preconceito e com a participação do paciente de forma ativa a busca pela "cura" é encontrada muito mais facilmente. Sem duvida a ideia manicomial é ultrapassada, injusta, desumana e falsa. O CAPS mostra que quem procura ajuda é uma PESSOA que apresenta uma doença e não uma doença com uma pessoa.
    A luta em prol das pessoas com problemas psiquiátricos ainda está engatinhando. Ainda há muito a se fazer, começando por combater a discriminação em torno dessa doença.

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  26. Antigamente, os manicômios eram muito utilizados para o internamento dos pacientes considerados 'loucos' e, em certas épocas, também eram internados os considerados desviantes sociais, como pobres, prostitutas, desempregados. Um tratamento sub-humano era dado a esses pacientes. Segundo o vídeo, no Hospital de Barbacena, eles em certas ocasiões dormiam sobre capim e feno, o que levava a morte de alguns, não tinham prato para comer e as vezes comiam comida estragada. A partir do momento que entravam no manicômio, eram excluídos da sociedade e estavam fadados a prisão perpétua e morte.
    O conceito de saúde envolve não só o bem-estar físico, mas também o mental e social. Por isso, a medicina deve ver os pacientes como portadores de doença mental, e não loucos, e que precisam de tratamento para reestabelecimento do bem-estar. Além disso, esses pacientes não devem ser excluídos da sociedade, e sim reinseridos nesta com ajuda não só de médicos, mas de toda uma equipe multidisciplinar envolvendo psicólogos, assistentes sociais e a própria família. Tendo esta, papel fundamental na inserção do portador de doença mental na sociedade, já que convive diariamente com o paciente e que deveria ajudá-lo a tratar sua doença. Acredito assim que os manicômios como existiam antigamente, são instituições ilegais, que privaram a liberdade de muitos pacientes. E que cada vez mais, o serviço de Saúde Mental, incluindo os CAPS, tenta se aproximar desse modelo em que o portador de doença mental tenta ser reinserido na sociedade, sempre visando o seu bem-estar e sua liberdade.

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  29. A partir do inicio do século XIX a medicina no Brasil inseriu-se no modelo da medicina social do espaço urbano. E, no interior dessa medicina social, nasceu a preocupação com a loucura. Desde antigamente até os dias de hoje, muitas mudanças ocorreram no tratamento da loucura. Houve época em as pessoas consideradas loucas eram tratadas de maneira desumana, chegando a viver nas ruas, prisões e manicômios.
    Com o Movimento da Reforma Psiquiátrica foi enfatizada a importância da assistência extra-hospitalar, da readaptação do doente e do trabalho em equipes multidisciplinares. Esse movimento começou a mudar radicalmente a história das políticas públicas de saúde mental no Brasil. O estopim do movimento foi a denúncia de estagiários e profissionais de unidades federais, todas no Rio de Janeiro, sobre a violação dos direitos humanos. Eram denúncias de agressão, estupro, trabalho escravo e mortes suspeitas.
    Foi em Bauru, durante o II Congresso Nacional de Trabalhadores de Saúde Mental em dezembro de 1987 que foi introduzido o lema “Por uma sociedade sem manicômio”. Foi então organizado o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, em 18 de maio, que passa a ser comemorado anualmente. A partir daí se pensou em novas alternativas para Saúde Mental e uma das alternativas foi o surgimento do CAPS – Centro de Atenção Psicológica Social. Com o CAPS vêm novas formas de tratamento da doença mental e a luta antimanicomial é importante para que sejam lembrados e combatidos os modelos antigos que tratavam o ser humano acometidos da doença mental de forma cruel e perversa, onde a doença se tornava crônica e exclua a pessoa de viver no meio da família e sociedade, e desprovida de qualquer direito.

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  30. Anastácia Soares Vieira
    Os portadores de doença mental sempre foram tratados como marginais, sempre excluídos da sociedade. No século XVIII, eram internados nos hospitais gerais junto com pobres, aleijados, prostitutas, leprossos. Com a revolução Francesa e os novos ideais de liberdade, fraternidade os pobres, prostitutas saíram do hospital geral e foram incluídos na sociedade, porém os loucos permaneceram internados. Na Renascença, os loucos eram colocados em barcos e navios e carregados para cidades longe das suas em busca da razão. Havia partidas de navios especialmente para levar os loucos. Quando estes chegavam nas cidades, eram enxotados pelos moradores.
    Os portadores de doença mental sempre foram tratados com desprezo pela sociedade até nos dias de hoje sofrem preconceito da maioria das pessoas, até mesmo de profissionais da saúde.
    Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) são instituições que visam à substituição dos hospitais psiquiátricos e de seus métodos para cuidar de alterações psiquiátricas. O CAPS oferece atendimento de cuidados intermediários entre o regime ambulatorial e a internação hospitalar.
    Nos dias de hoje, o louco deve ser tratado com respeito evitando-se retirar a sua liberdade, pois ele não cometeu nenhum crime, só tem um comportamento diferente da maioria das pessoas e isso não é motivo para prendê-los e deixarem-os esquecidos.

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  31. A leitura do livro “História da Loucura na Idade Clássica” de Foucault serve como embasamento para entendermos como a sociedade enxergava e tratava o louco. Na Idade Média, os loucos, as prostitutas, os mendigos, os idosos, todos eram encarcerados, pois apresentavam ameaças para sociedade. Com a Reforma Psiquiátrica somente os loucos são internados, mas sob um diagnóstico psiquiátrico. Entretanto não deixaram de excluí-los do convívio social. Atualmente sabemos da existência de várias unidades de saúde para tratar do louco, a exemplo o CAPS. Quando digo tratar do louco, estou me referindo ao tratamento biológico (quando a causa etiológica é conhecida) e o tratamento psicológico, além da não exclusão social.
    É horrendo sabermos como os loucos eram tratados de modo desumano. Aprisionados, privados de liberdade, lazer, alimentação adequada, higiene. Além de seus corpos servirem como meios de negociação para estudos nas Faculdades de Medicina.
    É triste, mas o doente mental ainda hoje é tratado com preconceito. Devemos enxergá-lo como ser biopsicossocial, pois além da doença mental podem existir várias doenças biológicas, as quais não são investigadas, pois a palavra do louco não tem validade.

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  32. Victor de Oliveira Sousa Guimarães
    Os loucos pertencem a uma fração marginalizada pela sociedade apenas por não compartilharem da mesma visão de mundo que é aceita pela maioria. Entretanto, não acreditar na mesma ideia que outra pessoa não da a ninguém o direito de privá-la do convívio social e de sua liberdade, algo que ocorria no modelo manicomial de assistência ao “doente mental”. Ao abodar o tema da saúde mental, é necessário trazer à tona outras questões como preconceito, desigualdade social e a própria formação intelectual da nossa sociedade.
    O primeiro, apresenta-se pela estigmatização que o diagnóstico de ‘louco’ traz ao indivíduo. Após ser rotulado, o doente mental perde sua credibilidade e autonomia, pelo simples fato de ser “louco”... Aí chegamos ao tema da formação da nossa sociedade. A população encara o paciente psiquiátrico como alguém que não tem opinião própria, não sabe distinguir o certo do errado ou que não tem autonomia para decidir o que é melhor para ele. Enfim, temos o agravante da desigualdade social, gritante no nosso país. Muitas vezes, os ‘loucos’ são abandonados pelas pessoas mais próximas pelo fato deles não poderem se manter financeiramente, principalmente quando a família não possui uma boa situação financeira, e ele termina, muitas vezes, se transformando em moradores de rua.
    Questão interessante encontramos quando o paciente necessita de atenção médica, por estar sofrendo com algum tipo de doença. O médico psiquiatra, às vezes por não ter conhecimento mais detalhado, envia-o para o clínico que por sua vez, talvez por não acreditar no paciente ou por ter um certo receio de suas reações, não examina-o devidamente e acaba deixando passar o problema e re encaminhando-o ao psiquiatra.
    Até a década de 70, esses loucos eram internados (mesmo contra sua própria vontade, algo que ele não possuía, pelo pensamento comum da época) nos hospitais psiquiátricos como o Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena, mostrado no vídeo. Nesses locais, talvez por falta de profissionais bem instruídos ou por pouca capacidade financeira, essas pessoas (algo que não deve ser esquecido, eles são seres humanos também!) eram tratadas como verdadeiros prisioneiros de guerra - num paralelo com os campos de concentração nazistas da II Guerra Mundial – e não tinham acesso a boas condições de alimentação, higiene ou mesmo convívio social, que é justamente a melhor alternativa de tratamento hoje aceita pela área. Assim, eles não conseguiam se recuperar e acabavam internados pelo resto de suas vidas.
    Com o advento da reforma psiquiátrica, procurou-se modificar a forma como eram tratados esses pacientes, buscando um objetivo final que é reintroduzi-los na sociedade. Assim, surgiram os Centros de apoio Psicossociais (CAPS) que coordenam o tratamento do doente mental mas que não mantém ele internado. O paciente se dirige a ele quando há necessidade. Outros alternativas como as as oficinas de trabalho e as residências terapêuticas (no caso daqueles pacientes que não possuem familiares com os quais possam contar) são importantes ferramentas na terapia do doente mental, já que sua saúde depende de um bom convívio social.
    Enfim, considero justa a luta antimanicomiais já que os resultados com essas alternativas de conduta ao paciente psiquiátrico mostram-se favoráveis ao seu retorno à sociedade. Apesar dos problemas enfrentados pelos CAPS, como arrocho do orçamento e o preconceito da sociedade com o tema, ainda acredito que esse é o caminho a ser seguido.

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  34. Taianne Machado Nascimento
    O vídeo retrata um pouco da realidade da saúde Mental no século passado em nosso país, retrata também o sofrimento dos doentes mentais e o preconceito que a sociedade tinha e ainda tem por essas pessoas ditas anormais. Porém, surge a reforma psiquiátrica e a luta antimanicomial, uma luz para o tratamento em saúde mental. O doente mental, antes hostilizado ganha um espaço na sociedade, ganha direitos, deve ser respeitado.
    Definir o que é normal ou patológico é muito difícil, temos costume de julgar as pessoas quando apresentam características diferentes das nossas, ou quando escolhem um modo de vida diferente do nosso. Não é a toa que muitos homossexuais e revolucionários foram encarcerados em hospitais psiquiátricos,temos medo do diferente .Porém, o louco, doente mental, só é louco, quando suas idéias não são aceitas ou quando as pessoas não compartilham de seus pensamentos, quantos cientistas e escritores,por exemplo, foram chamados de louco no seu tempo e hoje são valorizados? É isso que torna a Saúde Mental tão complexa e apaixonante, a incapacidade de definição, a certeza está, simplesmente, na incerteza. Não temos parâmetros biológicos,científicos, confirmados para loucura, vivemos basicamente do subjetivismo.
    Durante muito tempo, os doentes mentais foram hostilizados e aprisionados em hospitais com a finalidade de serem tratados, porém esses hospitais não traziam condições dignas para essas pessoas que praticamente perdiam sua cidadania, perdiam seu valor,eram reduzidos a animais irracionais.Eram maltratados psicologicamente,fisicamente e socialmente. Aquilo que o louco falava não tinha significado, não devia ser respeitado.
    A reforma psiquiátrica tem como objetivo a substituição progressiva dos tradicionais hospitais psiquiátricos, os famosos manicômios, por serviços abertos de tratamento , atendendo de forma digna e diversificada o doente mental. Esta substituição implica na implantação de uma ampla rede de atenção em saúde mental que além de oferecer atendimento aos problemas do “doente” , dá apoio às famílias, promovendo autonomia, descronificação e desinstitucionalização.O doente mental é tratado como cidadão que merece respeito e como tal deve ser inserido na sociedade. Além dos serviços de saúde, há também serviços nas áreas de ação social, cidadania, cultura, educação, trabalho e renda.
    A saúde mental, com certeza, é um dos assuntos que mais divide opiniões na Medicina. É claro que com o passar do tempo, o tratamento do doente mental foi mudando, foi ficando mais “humanizado”, porém o estigma do louco ainda é muito grande em nossa sociedade e o preconceito ainda toma proporções elevadas. A reforma psiquiátrica veio pra quebrar velhos costumes e inserir o doente mental na sociedade.

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  35. Poder da humanidade de oprimir e desrespeitar quem é diferente. Nada melhor q essa frase para definir, o tipo de instrumento que o Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (CHPB), preservada através do Museu da Loucura, se tornou.
    É inconcebível pensar que o manicômio se transformou em um negocio lucrativo, maior fornecedor de cadáveres para escolas medicas do pais, “trunfo esse conseguido a partir das 60 mil mortes que ocorreram em suas estruturas, mortes essas devidas principalmente a má qualidade de tratamento dada as seus internos.
    Saúde mental, essa condição em que as idéias se comportam bem, sempre iguais, previsíveis, sem surpresas, obedientes ao comando do dever, todas as coisas nos seus lugares, como soldados em ordem unida, jamais permitindo que o corpo falte ao trabalho, ou que faça algo inesperado.
    Há uma lista das pessoas que tiveram uma vida mental rica e excitante, pessoas cujos livros e obras são alimento para minha alma. Nietzsche, Fernando Pessoa, Van Gogh, Wittgenstein, Cecília Meireles, Maiakovski. E Nietzsche ficou louco. Fernando Pessoa era dado à bebida. Van Gogh se matou. Wittgenstein se alegrou ao saber que iria morrer em breve: não suportava mais viver com tanta angústia. Cecília Meireles sofria de uma suave depressão crônica. Maikovski suicidou-se. Essas eram pessoas lúcidas e profundas que continuarão a ser pão para os vivos muito depois de nós termos sido complemente esquecidos.
    Será que nenhuma dessas 60 mil vida merecia uma chance de demonstrar o seu potencial? A melhor demonstração foi dada no carnaval de 1998, quando 300, internos do hospital psiquiátrico saíram em bloco pela cidade, mostrando que eles podem viver, sim, harmoniosamente com as outras pessoas da sociedade, basta apenas o esforço de ambas as partes.
    O CHPB já nos serve de exemplo claro de que a existência dos manicômios ao deve ser permitida. Muito menos no cenário que vivemos, onde houve tantos avanços, tantas novas medicações e métodos, todos beneficiando um melhor convívio com o portador de doenças mentais, por isso tudo, apoio a luta manicomial.

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  36. Filipe Emanuel F. Menezes

    A prática da medicalização sem controle e motivos, o isolamento e exclusão social era mandatória antes da reforma psiquiátrica brasileira (como podemos ver no vídeo). No Brasil desde o final da década de 70, o cuidado em Saúde Mental, vem sofrendo transformações, acompanhado de um movimento mundial de desinstitucionalização da loucura. Assim, a prática cientificamente justificada da medicalização, isolamento e exclusão social está sendo substituída por um cuidado humanizado voltado para a desmistificação da ‘’loucura’’, produção de liberdade e autonomia do paciente e na necessidade de reinserção social deles, pois eles são sim cidadãos.

    Foram criados os CAPS (Centro de Atenção Psicosocial), centros multiprofissionais com atendimento clínico com objetivo de oferecer atendimento à população, realizar o acompanhamento clínico e a reinserer socialmente seus usuários pelo acesso ao trabalho, lazer, exercício dos direitos civis e fortalecimento dos laços familiares e comunitários. Esses centros possibilitam a organização de uma rede substitutiva ao Hospital Psiquiátrico / Manicômios no país.

    Aracaju, por exemplo, é referência em serviços com os citados acima. Com uma rede de atenção psicosocial bem estruturada e com efetiva integração de pessoas com transtorno mental à comunidade.

    Por fim, ressalto aqui algo que achei de grande valia e aprendi na minha formação. O dito ''Louco'', ele pode ser diferente para nós, e tudo aquilo que é diferente nos causa estranhamento perante os valores e modos de vida da sociedade. Porém, o louco ele pode se considerar normal dentro do modo de vida dele, ele tem sua capacidade normativa preservada, ele é louco sim, porém cidadão, tudo depende da forma como o conhecemos e o tratamos diante da nossa sociedade.

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    1. Aproveitei e coloquei um post sobre esse tema no meu blog: http://medicinaufs.blogspot.com.br/2012/05/dia-nacional-da-luta-antimanicomial.html =D

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  37. Desde a idade média não se soube de verdade tratar dos fenômenos psíquicos e dá a devida importância para seu entendimento. Dessa forma a loucura herdou da lepra a conotação moral da exclusão. Os loucos eram internados em instituições e excluídos da sociedade sem direito e dever algum sobre sua própria moral. E com o passar dos séculos, os hospitais gerais serviram da mesma incumbência, por trás do pretexto da maior conforto social para todos e de se criar um local para dispensar cuidados aos loucos. A medicalização da loucura foi criada com Pinel, e com ele o conhecimento médico justificava a manutenção da internação. Logo caridade, tratamento e diminuir os transtornos sociais eram as três justificativas para tanto. Antes o poder real , agora a medicina justificava a internação. A Psiquiatria foi uma especialidade criada como válvula de escape para solução social da loucura. Desde então o isolamento foi o modo como se tratou a questão e depois de séculos de erros, chegou com a luta antimanicomial a grande iniciativa para mudar essa conotação de exclusão e devolver aos loucos o espaço social que lhes foram tomado. No dia 18 de Maio a questão da saúde mental nesse país pede reflexão para as práticas dispensadas. E as melhorias como Caps e auxílio psicossocial junto as unidades de saúde da famílias devem ser mantidas e melhoradas para buscar um caminho verdadeiro na resolução das condições de vida dos portadores das enfermidades psíquicas. Não cabe a nenhum profissional da saúde apenas discriminar patologias ou prescrever fármacos, mas cabe sim, a todos, cuidar, escutar, dialogar humanamente com qualquer paciente, e não seria diferente com o portador de enfermidade mental. Portanto, humanizar o cuidado da saúde mental é o antídoto que tanto se espera.

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  38. José Machado Neto
    No Brasil, assim como em varias partes do mundo, o manicômio era visto como única forma de “tratamento” da loucura, tratamento esse que era baseado em maus tratos, confinamento e exclusão, o louco era rebaixado a uma posição pior do que a de muitos criminosos. Essa maneira de se lidar com os loucos foi herdada do modo de como se lidou com os portadores de hanseníase, séculos anteriores, o medo pelo desconhecido, já fez a humanidade muitas vezes se valer de métodos desumanos e monstruosos.
    O começo de um novo método de tratamento da loucura só se deu no Brasil anos após o fim da ditadura, quando a sociedade medica percebeu a semelhança dos manicômios com os porões de tortura do governo. No restante do mundo esse processo ocorreu depois da segunda guerra mundial, quando se notou a semelhança dos campos de concentração nazista com os manicômios.
    Durante muitos séculos os loucos foram excluídos, marginalizados pela sociedade, não por causa de atitudes violentos ou atos criminosos, mas simplesmente porque possuíam comportamentos que iam de encontro com o padrão social. Muitas vezes pela própria família ou por agentes do governo, essas pessoas eram diagnosticadas como loucas e mandadas para essas casas de “tratamento”. Quando se fala desse capitulo da saúde brasileira é até vergonhoso dizer como a sociedade da época tratou de forma desumana e monstruosa os seus portadores de transtorno mentais, como no caso de Barbacena que chegou ao ponto de ser considerado o maior vendedor de corpos para as escolas de medicina.
    De alguns anos pra cá, a forma de tratamento desses transtornos mudou drasticamente, o confinamento no manicômio não e mais a primeira escolha, mas se a última e de preferência por pouco tempo, diferente de antes que a grande maioria chegava a morrer nesses locais. Mesmo com todo o progresso e esclarecimento, a sociedade ainda continua vendo os seus portadores de transtornos mentais com certo desprezo e discriminação.
    Sendo então dever do médico ou de qualquer outro profissional da saúde esclarecer e indicar a melhor tática de tratamento do distúrbio metal, lembrando ao paciente que esse distúrbio não o torna menor ou desmerecedor em relação ao restante da população. Tratamento com medicamentos e acompanhamento profissional periódico é a melhor conduta a se tomar nesses casos. A internação em manicômios só deve ser usada em ultima instancia e por pouco tempo, já que priva o paciente do contato com o restante da sociedade, da família (que tem participação chave na melhora dos sintomas) e do cotidiano em geral.

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  39. KAÍQUE ANDRÉ DO NASCIMENTO GÓIS


    A falta de informação associada a uma certa aversão ao desconhecido, fez do fenômeno da loucura, um meio de exclusão, de segregação. Até pouco tempo, os loucos eram rotulados como insanos, e possuíam a capacidade de dizer coisas que ninguém mais poderia dizer, logo eram temidos por todos devido as suas verdades, ditas maldições.
    A exclusão era o tratamento-padrão para as pessoas com problemas mentais. Aliado a isso, deve-se levar em conta que nos primórdios desse processo de segregação, os loucos estavam em uma “casta” semelhante a dos doentes terminais, ciganos, mendigos - os chamados Hospitais Gerais - os quais segundo os moldes da sociedade à época eram considerados desviantes sociais.
    A grande injustiça desse processo é a privação da liberdade dessas pessoas, que por não concordar e não compartilhar da ordem vigente que é imposta por uma parcela da sociedade, passam momentos preciosos das suas vidas presos, sendo humilhados e tendo , por vezes, a sua única forma de questionar – a boca – amordaçada, e o seu discurso, seu argumento se torna tolo, irrelevante.
    Nesse contexto, surge a luta antimanicomial, a qual foi de uma importância inestimável, para que a maneira institucional, ou melhor, de exclusão, fosse substituída por medidas que devolvessem a cidadania e o mais importante, a liberdade desses pacientes. Tais medidas estão bem exemplificadas pelo modo de ação dos CAPS.
    À essa evolução que os CAPS estão associados, podem ser citadas: as diferentes formas de olhar o doente mental, o qual agora é melhor acolhido, o benefício da reinserção dele na sociedade e a maneira mais humana de tratamento, que agora não se apoia mais somente na prescrição de medicações. A atenção a essas pessoas se torna mais completa e eficaz pois uma boa conversa e a procura das reais angústias desses pacientes maximizam as chances de reabilitação deles.

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  40. Bruno Augusto Andrade Vitor
    Quando se aborda o tema de Saúde mental é necessário que haja um cuidado maior ao se defender ou ir contra algumas ideias. É nítido todo o sofrimento que os chamados Loucos( loucos, doidos, malucos ou diversas nomenclaturas que são atribuídas a eles de forma pejorativa em muitos de seus casos) passaram e ainda passam durante toda a história, desde a Idade Média em que ocuparam juntamente com as prostitutas, pobres e vários indivíduos marginalizados pela sociedade, os locais e alojamentos que eram destinados primeiramente a leprosos, porém a finalidade que a sociedade tinham para os leprosos que era de excluí-los também foi feito com os loucos pois não existiam atos que demonstrassem um mínimo de ajuda, somente exclusão, repudia e uma forma de castigo. Mesmo com a chegada do Século XX em que os pensamentos eram de épocas em que iriam ocorrer principalmente inovações e mudanças, o modo com que os loucos eram tratados não mudou muito, as condições que eles viviam eram totalmente inadequadas, incompatíveis com uma vida social mesmo que da mais simples. Eles basicamente se encontravam em locações, os manicômios, que comportavam um número bem menor de pessoas do que o que realmente ocorria, a alimentação era precária e o lazer praticamente não existia, principalmente por falta de estímulos de quem estava tratando e também da família que muitas vezes prefere se omitir do que encarar o fato e buscar ajudar o familiar que está precisando, sendo que esse tratamento era feito geralmente de forma uniforme, como visto no vídeo, o qual mostrou que praticamente todas as pessoas de lá apresentavam uma aparência “sofrida”, descuidada, muitas vezes triste. Isso pode ter acontecido também pelo fato de que a liberdade dessas pessoas foi “roubada”, sem que qualquer forma de opinião do paciente pudesse ser ouvida. Um exemplo disso tudo pode ser visto no filme Bicho de Sete Cabeças, pois esse filme aborda o abuso dos hospitais psiquiátricos com relação aos seus paciente de forma enfática, já que era demonstrado as faltas de cuidados, muita violência e até desrespeito que os pacientes sofriam. Sendo que o personagem principal do filme foi internado lá por conta de um cigarro de maconha, sendo este encontrado pelo pai e com isso desencadeado todos esses atos, retirando a liberdade sem nem ao menos considerar a opinião do paciente que pode ter sido internado sem apresentar sintomas característicos de distúrbios neuropsiquiátricos.
    A partir do Movimento antimanicomial, que está ligado a Reforma Sanitária Brasileira e consequentemente com o início do SUS, houve uma mudança na forma de tratamento dos pacientes que apresentam transtornos neuropsiquiátricos, pois houve a implantação de uma rede de atenção psicossocial e com isso os loucos começaram a ter uma forma de tratamento mais digna, com tentativas de reinclusão à sociedade e apoio da família dando todo suporte necessário ao paciente. As CAPS são importantes para ajudar esses pacientes por suas diversas formas de atuação, como tratamento e atividades para o paciente voltar a interagir com as pessoas.
    Portanto a Reforma Psiquiátrica e principalmente o movimento antimanicomial são de grande importância para que haja uma melhoria nas condições de tratamento do paciente, mas há uma grande dúvida quando há casos de pessoas que são uma forma de “ameaça” a sociedade como os estupradores, “maníacos” que possuem algum transtorno mental, pois será que nesses casos há uma necessidade de isolar esses indivíduos da sociedade pelo de fato de eles poderem causar algum prejuízo social? Por conta disso deve-se ter um cuidado em excluir totalmente algumas formas de isolamento, pois um isolamento com tratamentos adequados pode ser de grande valia para ajudar esses pacientes. Mas mesmo assim essa luta antimanicomial é bastante positiva.

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  41. Ytallo Juan O. Cardozo

    Esse mês de maio comemora-se o dia internacional da saúde mental,e merece atenção como qualquer outra área da saúde,apesar do preconceito que sofre.
    Os indivíduos afetados por problemas de saúde mental são cidadãos de pleno direito, não deverão ser excluídos do resto da sociedade, mas antes apoiados no sentido da sua total integração na família, na escola, nos locais de trabalho e na comunidade.A medicina organizou, valendo-se de seu modelo de isolamento para tratar o doente, espaços de exclusão que se mostraram,no inicio do século vinte, ineficazes como meio de tratamento e desumanos.De lá pra cá a psiquiatria evoluiu muito,existem os tratamentos ambulatoriais que são comprovadamente eficazes para muitos distúrbios como esquizofrenia,depressão,transtorno bipolar,entre outros,nos quais é ministrado medicamento e é acompanhado muitas vezes de psicoterapia.Após a reforma psiquiátrica e com a inclusão do Caps,a política nacional de saúde Mental busca consolidar um modelo de atenção à saúde mental aberto e de base comunitária,mostrou-se bastante importante e eficiente o modo como se deu o tratamento dos doentes mentais.Muito precisa melhorar,mas o Brasil ja deu passos largos em melhorar a saúde dessas pessoas que ainda são marginalizadas pela sociedade,não ajudando em nada sua melhoria na qualidade de vida e o mais importante,deve ser tratada como uma doença como outra qualquer,no sentido de evitar sua marginalização.

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  42. DIOGO RAMON SANTOS

    Historicamente as pessoas com problemas mentais foram discriminadas ao longo do tempo. Isso fica comprovado a partir da leitura de livros de história bem como de pensadores da época como Michel Foucault (História da Loucura) em que retratam muito bem a exclusão social a que eram submetidos. Eram nos chamados Hospitais Gerais onde eles eram “isolados” junto de mendigos, bêbados, vagabundos, etc. Entretanto com o passar dos anos e a mudança de mentalidade da sociedade passando para um modelo totalmente burguês, vide Revolução Francesa, esse isolamento passou a ter ‘pontos’ contestados.
    No Brasil, a história caminhou da mesma forma, no entanto, com um pouco mais de atraso como de costume em todos os eventos históricos.
    Em pleno início do século XX o Hospital Barbacena, inaugurado em 1903 comprova isso. Pacientes neuropsiquiátricos isolados sem nenhum tratamento deixados a espera da morte como bem mostrado no vídeo. Só com a Revolução psiquiátrica que surgiu no final da década de 80 é que esse quadro passou a ser modificado (época de surgimento do SUS).
    Assim iniciou-se a luta antimanicomial. Os pacientes passaram a ser tratados de uma forma mais humanizada, incluindo-o na sociedade como deve ser feito e não isolando. Nesse modelo, que bem entendo como sendo o melhor, não só o médico acompanha, mas também a família, o que é um fator primordial no tratamento.
    Antes de tudo os pacientes psiquiátricos são pessoas como todos nós e merecem total respeito. Eles apenas enxergam o mundo de uma forma diferente, o que não significa que é a errada. Vai ver os loucos somos nós. Quem sabe não somos nós que deturpamos a realidade baseadas em conceitos e medidas sociais que devemos obedecê-la tão fielmente que mal enxergamos o mundo como ele verdadeiramente é. Mas isso são outras questões que não vem ao caso agora. O que interessa saber, no momento, é que eles são pessoas que merecem um tratamento digno e humanizado e não deixados a mercê do acaso, do isolamento, da falta de esperança, da obscuridade que eram os porões dos antigos manicômios.

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  43. Mariana Lemos

    Não haveria melhor dia que hoje, dia 18 de maio, para comentar acerca do vídeo sobre o Museu da loucura, que preserva a história do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (CHPB), já que hoje é celebrado tanto o dia do museu quanto o dia escolhido para se comemorar o Movimento Nacional da Luta Atimanicomial.
    Essa luta começou em 1987 onde alguns profissionais interessados na saúde mental se engajaram na pesquisa da mesma.
    Antes disso, no início do século 20, os loucos eram afastados da sociedade. Como ocorreu no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (CHPB), juntamente com os sem-teto, alcoólatras, os chamados antiproducentes,eles eram enviados para esses hospitais pois faziam vergonha a seus familiares, que não os queriam por perto. As pessoas que eram internadas viviam em péssimas condições, não tinham condições de higiene, sofriam nas técnicas de eletrochoque e lobotomia, não participavam de uma humanização, não recebiam tratamento médico, muitas vezes eram massacrados, o que não era reconhecido pela sociedade, passava despercebido por todos. Era simplesmente uma instituição hospitalar mas sem a sua função primordial, a de tratar.
    Hoje com a evolução das pesquisas e dos tratamentos a situação melhorou. No Brasil, com Movimento Nacional da Luta Antimanicomial, ocorreu a implementação de ações para a saúde mental, como os CAP. Essas pessoas podem receber um tratamento humanizado, participam de oficinas de variadas atividades para exercerem atividades e desenvolverem seu lado intelectual, não são mais afastados da sociedade. A família tem participação ativa no seu tratamento, além de terem consultas com especialistas e receberem sua medicação. Os loucos não são mais deixados de lado sendo assim integrados na sociedade.
    È importante a existência do Museu da Loucura, o qual nos proporciona o conhecimento do que aconteceu no passado. Ele nos mostra quão displicentes foi a sociedade diante das necessidades dos loucos, e quão desprezados e negligenciados foram os mesmos. Os portadores de problemas mentais precisam de atenção especial. É importante a contribuição interdisciplinar dos profissionais da saúde para a integração dessas pessoas na sociedade, para que eles se desenvolvam e tenham uma vida mais feliz.

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  44. O conceito de loucura, historicamente falando, teve bruscas modificações no passar do tempo. Na antiga Grécia se apontava como causa de distúrbios mentais o sobrenatural, em que os loucos eram, na verdade, possuídos por espíritos malignos. Hipócrates (460-370 a.C.) constatava que os distúrbios mentais, especialmente a epilepsia, tinham origem divina e sagrada, porém, o mesmo, posteriormente, ensinou que o cérebro era o responsável pelos transtornos mentais. O tratamento estabelecido na época, entretanto, foi feito através de técnicas sem fundamento ou resultado positivo, como drenagem de excessos de líquidos do corpo, alteração da dieta, exercícios, ingestão de álcool, dentre outros.
    Em outras partes do mundo e em épocas diferentes se puderam avaliar tratamentos psiquiátricos absurdos, como infectar o doente mental com malária, passar ímas pelo corpo do paciente, se fazer trepanação, que consistia em abrir um buraco no crânio do doente, que se evoluiu para o procedimento de lobotomia.
    Numa realidade mais próxima é possível se analisar um meio de tratamento mais recente, de pouco valor terapêutico consistente e mais baseado no afastamento entre os loucos e a sociedade, o internamento em manicômios. No Museu da Loucura, situado em Barbacena, Minas Gerais, pode-se observar claramente o caráter cárcere que possui o manicômio, onde os doentes mentais eram tratados como prisioneiros, obrigados a se alimentar no chão e dormir sobre montes de capim e feno, e o esquecimento por parte dos familiares e da sociedade que sofriam esses cidadãos, em que, ao falecerem, como nunca vinham reclamar por seus corpos, eram sempre vendidos a faculdades de medicina por todo o país.
    A primeira dificuldade que é encontrada para se definir uma maneira eficaz de tratar os loucos é a discriminação desta classe, visto que se questiona: como definir, nesta linha tênue, a separação entre a loucura e a sanidade? Muitos gênios já foram considerados loucos, e não precisa ir muito longe para demonstrar isso. Foi nascido em Japaratuba, Sergipe, Arthur Bispo, que, após ser internado no manicômio Colônia Juliano Moreira, localizado no Rio de Janeiro, passou a produzir objetos, provenientes de lixo e sucata, que seriam classificados como arte vanguardista e o destacaram neste mundo.
    Atualmente, é observada uma evolução nessa área, com o surgimento, em 1987, do Movimento da Luta Antimanicomial. Tal movimento teve continuidade a partir de próprios profissionais de saúde que contribuíram na constituição do SUS. Dessa maneira, se conseguiu conquistar a reestruturação da atenção em saúde mental, defendendo os direitos das pessoas que necessitam de tratamento e a proposta à criação de serviços que ofereçam este tratamento sem que isto signifique exclusão da vida social ou perda dos diretos e do lugar de cidadão.
    Ainda há muitos pontos a serem melhorados, porém, não se pode deixar de apontar a evolução que se encontra a atenção voltada à saúde mental, demonstrada na criação do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), que surgiu com o objetivo de substituição dos hospitais psiquiátricos. O mesmo já atende a algumas das principais falhas na maneira de tratamento empregada nos manicômios: a liberdade do doente e a inclusão social.

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  45. Os pacientes que possuem transtornos mentais sempre passaram por estigmas, preconceito, exclusão e diversos outros tipos de dificuldades ao longo dos tempos. Na idade média, eram presos em instituições chamadas Hospitais Gerais que funcionavam apenas como uma forma de exclusão social e não tinham função de cuidado. Eles serviam apenas para tirar o louco das ruas, pois eles eram vistos como perturbadores da ordem pública por seu comportamento fora dos padrões. Após a revolução francesa, em que a população passaria a ter direitos iguais, era necessária uma nova lógica que justificasse o encarceramento do louco. Essa lógica veio com a criação da psiquiatria e os loucos se mantiveram confinados nos manicômios. Toda essa conjuntura foi mudando na Europa no período do pós 2ª Guerra Mundial. Os manicômios passaram a ser percebidos semelhantes aos campos de concentração e os médicos não aceitaram mais um modelo que eliminasse a liberdade do indivíduo e o tratasse de forma diferente do restante. No Brasil, tal motivação ocorreu apenas no período pós-ditadura, em que os médicos brasileiros também perceberam os manicômios como forma de eliminar a liberdade do louco. Esse processo ficou conhecido como Revolução Psiquiátrica brasileira e, enfim, os loucos tiveram o direito de liberdade e tratamento. No SUS, tal mudança se expressa com a criação dos CAPS, que visam o cuidado digno do paciente e inclusão social com apoio da família.
    Além da eliminação dos manicômios, trazendo inclusão social e liberdade, os pacientes passaram a receber um tratamento para seus distúrbios. Atualmente, esse tratamento, muitas vezes, está pautado no raciocínio reducionista e biologicista que visa descobrir o fator causal da patologia e seu tratamento. Esse fator causal das patologias psiquiátricas está, muitas vezes, associado a um desequilíbrio de neurotransmissores. Dessa forma, o paciente passa a ser percebido apenas por uma lesão orgânica e isso leva a medicalização como única forma de tratamento. Como se pode perceber, fatores como o psicossocial são completamente desconsiderados. Porém as patologias psiquiátricas não possuem um fator causal orgânico e o modelo biologicista se torna limitado e não resolutivo para esses pacientes.
    Como se pode perceber, os pacientes portadores de distúrbios psiquiátricos já viveram momentos de exclusão social representados pela época dos manicômios. No Brasil, a Reforma Psiquiátrica trouxe o conceito que esse não é o tratamento que esses pacientes merecem. O paciente precisa receber um cuidado completo, valorizando todo seu contexto biopsicossocial e não de forma reducionista e biologicista, pois esse modelo não é resolutivo.

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  46. Érica Dayanne Meireles Leite

    Num passado não muito distante muitas pessoas foram tangidas da sociedade pelo fato de serem diferentes. Desde tempos remotos, sempre existiu um meio de segregação a quem não correspondia a norma vingente. Surgiram primeiro os leprosários, depois estes agregaram os marginalizados e como não poderia ficar de fora, os loucos. Na História da Loucura vemos que os loucos não eram tratados, apenas eram excluídos do convívio e eram tratados como animais, aliás, muito pior do que se trata animais. Eles recebram toda carga de preconceitos que era destinada aos leporsos e ainda recebeu um incentivo a mais, a própria loucura por seu caráter excêntrico. Com as mudanças na sociedade tentou-se mudar o conceito dessas casas de internação/segregação para se justificar a retirada de liberdade imposta a essas pessoas. Até que o médico passa a ter o papel de tratamento/justificar o internamento. Então passa a haver a internação compulsória de todos os desviantes. Contudo as mais diversas barbaridades foram feitas. Barbaridade ou Barbacena? Foi um dos manicômios brasileiros mais atroz. Nele muitos além de humilhados, morreram e foram vendidos. Direito? A nada, nem a ser enterrado dignamente.
    A Reforma Psiquiátrica no Brasil veio com o intuito de mudar a visão que a saúde tinha do louco e não só isso, mudar o tratamento, as condutas, o acolhimento. Surgem então os CAPS que acolhem esses pacientes, tratam o caráter biológico com medicamentos mais sofisticados e tentam reinserir o "louco" no seu meio de convívio. Manicômios deixam de existir, afinal não é restringindo a liberdade, excluindo que o "problema" deixa de existir, mas sim aceitando e tratando as diferenças com as diferenças necessárias de acordo com o princípio de equidade. Louco, todos nós somos um pouco.

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  47. Nathan Cunha de Jesus

    Saúde mental é sempre um tema muito controverso e polêmico. Primeiro pela dificuldade de traçar um limite o que é “normal” e “anormal”. Saúde e doença estão muito entrelaçados no campo mental, já que todos os “sintomas” são na verdade comportamentos, que geralmente não são bem aceitos pela sociedade. Geralmente não há presença de lesão orgânica nas psicopatologias e a maior parte dos “sintomas” (comportamentos) ocorre com todas as pessoas, inclusive as “normais”, ficando difícil definir quando que esse comportamento começa a ser considerado uma patologia. Isso nos leva a um problema histórico, que é o que fazer com essas pessoas rotuladas de “loucos”. Inicialmente eles ficavam nos leprosários, que se transformaram nos hospitais gerais (eram chamados de hospitais porque hospedavam, não tinham função de tratar essas pessoas que ficavam lá. Eles compartilhavam esses locais com outras classes marginalizadas pela sociedade, como pobres, alcoólatras e prostitutas. Depois da tomada da Bastilha todas as classes foram libertadas e apenas os loucos ficaram nessas fundações, que acabaram dando origem aos hospícios. Mas o que mais podemos questionar e debater é como essas pessoas vão parar nesses lugares e o porquê de interná-las. Muitas vezes a própria família do louco o internava e esquecia lá, mesmo ele não representando nenhuma ameaça à sociedade. O louco não cometeu crime nenhum para ter que ficar aprisionado, apenas apresenta comportamentos diferentes do que a sociedade considera normal e aceitável. Sendo assim por que alguém teria autoridade para aprisionar uma pessoa, às vezes até pelo resto de sua vida, se essa pessoa não fez mal algum a ninguém? O que justificaria privar a liberdade de alguém apenas por ela se comportar e pensar de maneira diferente da maioria? São algumas questões para se refletir quando se trata do campo da saúde mental.

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  48. Camila Andrade Maia


    O vídeo sobre o museu da loucura de Barbacena vem, nesse caso, representar a violência de diversas instituições que tratavam os portadores de transtornos mentais com indiferença, como a escória da sociedade. Esse comportamento acontecia desde a Idade Média com o surgimento dos Hospitais Gerais. Nestes os ‘’loucos’’ficavam aprisionados sem tratamento médico, apenas com o intuito de isolá-los, excluí-los já que a sociedade não possuía capacidade de conviver com as diferenças. Esses Hospitais serviam de abrigo não só para os loucos, mas também para aqueles que a sociedade considerava desvirtuados como prostitutas, mendigos, vagabundos e ébrios.
    Com a Revolução Francesa e seus ideais houve uma necessidade de obter justificativas para o aprisionamento destas pessoas, a partir disso surge o tratamento psiquiátrico e a figura do médico para que este detectasse um transtorno que permitisse a exclusão do, dito, “louco”. Porém, a violência, os maus tratos e principalmente o preconceito não deixaram de existir e isso se perpetuou por muitos anos inclusive aqui no nosso país. Como é mostrado no vídeo sobre o Museu da Loucura de Barbacena-MG os pacientes eram tratados com perversidade, crueldade, de uma maneira que é impossível de imaginar que um ser humano possa tratar outro.
    Porém, em 1978 se inicia o movimento social pelos direitos dos pacientes psiquiátricos em nosso país. O MTSM era formado por trabalhadores do movimento sanitário, familiares, profissionais e sindicalistas e estes protagonizaram a denúncia da violência dos manicômios. Hoje em dia esse movimento cresce e se perpetua com os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) que tem o intuito de reformular o sistema da Saúde Mental e tratar os transtornos psíquicos através da reabilitação com a participação do paciente e seus familiares.
    Em resumo, acredito que a Reforma psiquiátrica foi, e vem sendo, essencial para o restabelecimento da dignidade e do respeito para com os pacientes com transtornos psíquicos. Acho que ainda podem ser feitas políticas educativas para sanar o preconceito que existe, e é grande, na sociedade.

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  49. Bruno Matias de Carvalho (Atividade I – Luta Antimanicomial)

    Em psicopatologia vimos como os loucos “conquistaram” seu lugar nos manicômios. Pode até parece uma atitude nobre por parte da sociedade ter reservado um lugar “tão especial” para estes portadores de saúde mental, mas, bem sabemos que isto não é verdade. O que parece ter sido criado para benefício dos loucos na verdade foi criado para sua própria exclusão, ou melhor, para repúdio de qualquer pessoa que trouxesse alguma sequela para a sociedade.

    Inicialmente, as pessoas que ofereciam maior risco social eram os leprosos e por isso tiveram seu lugar “garantido” nos leprosários, mas logo logo surgiram seus primeiros concorrentes, os loucos. Estes se “adaptaram” muito bem a realidade de exclusão vigente e por isso sobreviveram mesmo tendo que competir com outras parcelas igualmente excluídas: ladrões, prostitutas e miseráveis; Essa “simbiose de exclusão” perdurou por muito tempo dentro dos “Hospitais Gerais”, que na verdade não ofereciam nem um tipo de atendimento médico, apenas hospedavam, ou melhor, encarceravam os “inimigos” da sociedade. Alguma coisa parece ter mudado depois da Primeira Reforma Psiquiátrica, onde o médico passa a decidir pelo internamento ou não dos loucos e a medicina assume, então, a tutela dos loucos. Agora, só os loucos eram “dignos” de ocupar os manicômios. É claro que outras reformas psiquiátricas surgiram, e hoje se fala em luta antimanicomial um verdadeiro progresso em relação á Saúde Mental.

    No Brasil muita coisa melhorou. Com a rede de atenção psicossocial tanto o louco quanto as famílias contam com apoio financeiro, médico e social. É através dos CAPS que o paciente ou responsável encontra uma equipe multidisciplinar habilitada para prestar serviços médicos, psicológicos e desenvolvem outras atividades psicossociais. Há, ainda, programas como: o “De volta pra casa” e o "serviço residencial terapêutico”, que busca maximizar a integração do louco a sociedade. Talvez tenhamos aprendido um pouco com nossos erros passado, e dado o real valor ao ser humano por traz da loucura, digno dos mesmos direitos de qualquer indivíduo, inclusive ao de liberdade. É pena que para termos chegado a essa conclusão (ainda em progresso) tantas pessoas tiveram que ser torturadas e assassinadas, para a satisfação do “egoísmo social”. O que ocorreu no Hospital de Barbacena é só um retrato do que acontecia e pode está acontecendo em qualquer lugar do mundo. Seja num manicômio ou num porão de uma casa, seja através de correntes ou através de preconceitos acabamos tirando a liberdade de alguém que não fez nada.

    Infelizmente, essa foi à realidade vivida pelos loucos por muito tempo. Designados para a solidão, e ausentado de qualquer direito eles estavam ali, no “melhor” lugar do mundo para a sociedade, porém desumano e tenebroso. Dá um lugar verdadeiramente digno na sociedade, portanto, parece ser o mínimo que podemos fazer, como pessoas, para apagar esse passado. Como médicos, no entanto, devemos trata-los como iguais dando-lhe saúde tanto física, mental e principalmente, social. Ou, talvez, seja melhor que essa memória esteja sempre presente para que a humanidade lembre-se do mal que já fizeram.

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  50. Historicamente o Brasil passou por reformas no tratamento da questão da loucura. Inicialmente essa questão não representava preocupação à sociedade e ao regime da época. O louco simplesmente era excluído do processo de trabalho do regime escravocrata que tinha a força de trabalho como moeda de troca. Portanto, durante esse tempo, a Europa era procurada por ricos com transtornos mentais e o restante espalhados no meio dos pobres em todo território nacional. Assim, sob o regime da época, a “esquisitice” não tinha nenhuma conotação patológica.

    As mudanças de regime e os processos políticos porque o Brasil passou foram fatores que determinaram o tratamento dado à loucura desde o Período Imperial até os dias de hoje. O avanço do modelo econômico pelo mundo e chegando ao Brasil, bem como a atenção à saúde e as descobertas crescentes da medicina, ao mesmo tempo que fortaleceram o modelo de internação centrado no hospital para tratamento das questões de saúde, implicaram a questão psicopatológica também numa ótica biologicista atendendo aos interesses mercadológicos. No entanto, esse modelo não se tratava ainda de uma Política de Saúde Mental, a psiquiatria tinha o papel apenas de recolher e excluir e o tratamento se dava numa perspectiva moral.

    Com o sanitarismo do começo do século XX, normas e medidas estatais (Políticas Sociais) começam a serem esboçadas para enfrentar as epidemias e a loucura. O Movimento pela Reforma Sanitária na década de 70, com o fim do regime totalitário, permitiu a redemocratização e a construção de novas políticas de tratamento da questão de saúde de forma integral e universal. Na VIII Conferência Nacional de Saúde foram construídas as bases do que hoje é o Sistema Único de Saúde-SUS. No bojo dessas discussões,
    Movimento de Luta Antimanicomial da atualidade, reclama pela Reforma Psiquiátrica, a fim de dar uma nova visão ao tratamento dos transtornos mentais de forma não mercadológica sob a ótica de um novo sistema de saúde, não biologicista, e não centrado nos remédios e equipamentos médicos.

    Essa nova visão construída é positiva porque visa a dar ao louco tratamento que com perspectiva de reinserção no meio social através de espaços com condições de acolhê-los de portas abertas em vez do enclauramento. Através do estabelecimento dessa atividades de produção e de fortalecimento da auto-estima, os CAPS dão aos portadores de transtornos mentais a possibilidade de reinserção de fato na sociedade, pois, em vez de uma buscar obedecer a uma regra de normalidade entre indivíduos, busca o estabelecimento de novas normas de convívio social que permitam o exercício da liberdade ao indivíduo.

    REFERÊNCIA: Silva ATMC, Barros S, Oliveira MAF. Políticas de saúde e de saúde mental no Brasil: A Exclusão /Inclusão Social como intenção e gesto. Rev Esc Enferm USP 2002; 36(1)

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  51. Caio Menezes M. de Mendonça

    Apesar do extremo avanço tecnológico e cientifico dado pela Medicina nas últimas décadas, ainda não foi descoberta, com exatidão, a causa e os mecanismos específicos sobre as patologias mentais. Há algumas teorias sobre distúrbios de neurotransmissores, fator genético agregado, mas nada que fosse 100% determinante para ocorrências das doenças mentais.
    Fazendo um apanhado histórico, inclusive nos baseando no vídeo, percebemos que a discriminação, o preconceito e a opressão àqueles que sofrem de patologias mentais não é tão diferente aos que sofriam os marginalizados na história da humanidade. Tem-se visto que o homem nunca soube trabalhar com o diferente, seja em questão racial, social ou econômica (como por exemplo, os negros na escravidão, os Judeus no Holocausto, etc). A partir da interessante leitura do texto “A Nau dos Loucos”, de Foucault, vemos a exclusão do louco através do tempo e como os segmentos marginalizados da sociedade foram oprimidos e mandados à reclusão forçada.
    Apesar de a luta para humanização da Medicina e para que o médico tenha uma nova visão sobre o paciente com distúrbios mentais seja árdua, vemos uma melhora nesse aspecto através da implementação do SUS e da reforma psiquiátrica no Brasil.
    Hoje em dia, com o CAPS, diminui a idéia manicomial do tratamento e se sobressai o conceito de inclusão social dos pacientes mentais. Atualmente, a perspectiva multidisciplinar do tratamento das doenças mentais vem ganhando mais espaço e é no CAPS onde isso é posto em prática. Não só o médico atende esses pacientes, mas toda uma equipe multidisciplinar faz o acompanhamento.
    É notório que devemos olhar para o paciente mental como um todo. Uma pessoa com qualidades, defeitos, circunstâncias físicas e mentais que se interconectam. Não podemos reduzir o paciente a uma dada condição mental, pois assim, nunca resolveremos por completo seu problema.
    Creio que além da Reforma Psiquiátrica do jeito que já existe, precisamos de campanhas de conscientização da sociedade em geral sobre a humanidade do paciente mental e da necessidade de inclusão social deste. Ainda estamos longe da perfeição, mas acho que os primeiros passos para o progresso foram dados.

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  52. Uma questão que precede a discussão sobre saúde mental é o entendimento do que vem a ser saúde e doença. O conceito de saúde foi por muito tempo tratado como simples ausência de doença e essa era compreendida como uma disfunção de ordem biológica. Somente a partir da segunda metade do século XX, passamos a observar a ampliação desse conceito para um estado de bem-estar físico, mental e social, com determinantes sociais.

    Devido ao exposto e por medo gerado pelo desconhecido, a “loucura” não foi qualificada como problema de saúde por muito tempo. As pessoas que apresentavam algum sofrimento psíquico, designadas genericamente por “loucos”, foram internadas em manicômios com o intuito principal de serem isolados do convívio social. A causa disso eram os comportamentos indesejados e incompreendidos desses, o que incomodava a sociedade.

    O tratamento empregado pelo modelo manicomial não era eficiente no restabelecimento da saúde dos pacientes psiquiátricos, pelo contrário, era, na maioria das vezes, responsável por casos de maus tratos e mortes, como podemos observar no vídeo. Após séculos de práticas abusivas e preconceito em relação aos portadores de doenças mentais, a Reforma Psiquiátrica começou a ser discutida no Brasil e no Mundo. Essa trazia críticas ao modelo hospitalocêntrico de tratar a doença mental e defendia um tratamento mais humano, que objetivava o restabelecimento da autonomia e a reinserção social do sujeito.

    No Brasil, a luta antimanicomial ganhou força a partir do final da década de 70, com a garantia dos direitos dos portadores de doença mental e privilegiando o tratamento em serviços de base comunitária. Após a criação do SUS, os Centros de Atenção Psicossocial foram criados como meios de permitir essa nova abordagem da doença mental.

    O nosso papel nesse processo começa antes mesmo de recebermos a titulação de graduação em Medicina. Enquanto estudantes da área da saúde e até mesmo como cidadãos, devemos nos colocar como sujeitos ativos nessa luta, visto que muitas opressões e preconceitos ainda são lançados sobre os portadores de sofrimento mental. Essa ação deve-se fundamentar em conhecimentos sólidos e no entendimento da nossa função enquanto construtores da sociedade em que vivemos. Dessa forma conseguiremos aprender com erros do passado e impedir que eles se façam presentes no futuro.

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  53. A ideologia de construir manicomios nao é fato recente, ela vem desde seculos atras. Com o passar do tempo os centros nos quais eles tratavam os leprosarios foram dando lugar a outros pacientes, esses nao se restringiram apenas a loucos mas tambem a individuos a margem da sociedade. Era uma utopia acreditar que nesses hospitais as pessoas se curavam, o que acontecia de fato era um afastamento dessas pessoas do centro da sociedade pois as consideram inconviviveis, ou seja, os loucos causavam um mal estar generalizado para as pessoas.
    Hoje em dia ainda existe esses centros, mas com uma maior organizaçao com a presença de especialistas, como psicologos, psiquiatras, enfermeiros, cozinheiros. Apesar dessa mudança esses locais ainda apresentam muitos problemas, tais como, precariedade no serviço, problemas de infraestrutura, acabam com a liberdade das pessoas. Quanto mais tempo uma pessoa fica nesses centros mais dinheiro entra para os responsaveis, entao podemos incluir a corrupçao e a falta de responsabilidade e respeito com os pacientes e suas familias.
    Afim de resolver esses e outros problemas é que surgiu o CAPS(Centro de atençao psicossocial) como uma proposta bem ímpar a favor do paciente e da sua familia. Os pacientes entram em contato com a sociedade, tem um auxilio multidisciplinar, nao ficam enclausurado como os centros manicomiais. Dessa forma a sociedade ajuda as pessoas na recuperaçao, tal iniciativa eh brilhante pois mostra que as pessoas nao podem ser excluidas. Cada um tem sua particularidade e seus problemas, e todos devem ajudar o proximo.

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  54. Luís Filipe Gois Oliveira

    Depois da Reforma Sanitária com certeza a Reforma Psiquiátrica é a mais importante da Saúde. Historicamente o “Louco” foi excluído da sociedade. Inicialmente nos hospitais gerais juntos aos pobres e por fim jogados em manicômios, ou melhor dizendo, prisões. O pré-conceito que existe sobre o louco é uma construção histórica de difícil mudança, mas não impossível. O louco foi tratado durante sua vida como um ser inferior ao homem uma espécie a partir, inferior até certos animais. As prisões manicomiais foram feitas pra a exclusão desses seres já que eles não tinham o direito de andar entre os “normais”. Por muito tempo boa parte da humanidade se calou diante de tal atrocidade. A Luta Antimanicomial veio pra da r vida a esse homens, mulheres e crianças que por muito tempo foram esquecidos. O vídeo fala muito bem de como essas pessoas foram tratadas e são tratadas ainda em alguns lugares. Esse tratamento com certeza pode ser comparado aos campos de concentração Nazistas onde atrocidades de tal tamanho foram cometidas. Após assistir ao vídeo me recordei de uma vivencia que eu fiz no sistema de saúde mental de Vitória da Conquista. Lá puder visitar tantos o CAPS e um manicômio (na verdade uma prisão). A visita o manicômio foi uma experiência que com certeza eu nunca vou esquecer, pois o local so de entrar já traz energias negativas. Ele é cheio de grades, de muros enormes de paredes e puro concretos, sem possuir nada que traga vida aquele lugar, de um pátio de terra tão seca que aprecia o nosso sertão. Tentei conversa com alguns internos, lembro-me de um jovem que queria ser jogador de futebol, mas apenas tinha uma bola furada e os pés no chão seco de poeira. Tinha outro que so sabia dizer que estava doente e não poderia sair da li nunca, esse a enfermeira disse que tinha mais de 30 anos que estava ali e que ele foi escrachado pela sua família e ali era o único lugar que ele poderia ficar. Mas os o que me chamou mais atenção foram aqueles que não pude conversar, pois estavam sobre efeitos de drogas em um estado vegetativo. O “Hospital Psiquiátrico” , como os enfermeiros chamavam, era dividido em duas alas, uma masculina e outra na feminina. E foi na ala feminina que percebi grades em todos os quartos e no ultimo quarto onde não tinha janela era extremamente escuro gritava uma voz de uma mulher por socorre dizendo “me solta daqui, não preciso ser amarrada, alguém pelo amor de Deus me ajude”.

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    1. Continuação
      No mesmo dia fui visitar uns dos CAPS e lá pude ver uma diferença enorme ao chegar. De cara o CAPS é uma casa, so por isso traz uma imagem de acolhimento. A porta estava aberta e não havia grade em lugar nenhum. Pode conversa com alguns pacientes e o incrível que teve uma que nos mostrou o lugar que eu so soube que era paciente quando a coordenadora me disse, pois pra mim ou ela era um profissional da saúde ou um parente dos que estavam lá. Conheci também um jovem que sofria de esquizofrenia e dizia que uma luz amarela o perseguia. A coordenadora falou sobre o caso dele e disse que ele tinha ficado assim depois de sofrer um acidente com uma moto. Ele sabia qual doença tinha e relatou que no inicio de sua doença ele tinha sido internado no Manicômio que aqui citei anteriormente. La ele disse que foi maltratado e que tentou fugir de lá duas vezes. Uma ele consegui e ficou perambulando pela rua, mas foi pego e colocaram-no de volta no manicômio. Não me lembro de como ele chegou no CAPS, mas é fato ele disse adorava o CAPS, pois podia ir e vim na hora que quisesses e disse que no tempo em que vivia no “hospital” sempre tinha crise. Foi nessa hora que a coordenadora completou a historia dizendo que ele depois que veio pro CAPS passava ate seis meses sem entrar em crise e que por isso ele foi contratado pra ser empacotador em uma mercearia da cidade.
      A diferença de tratamento é absurda se comparar um com o outro. Na historia temos um divida enorme com os negros, mas não podemos esquecer que temos também uma dívida enorme com os “loucos”, ou melhor, dizendo homens, mulheres e crianças que sofrem de transtornos mentais. Igual a Reforma Sanitária que ainda não acabou a Reforma Psiquiátrica ainda tem muito pra ser conquistada e por isso não devemos se afastar das lutas.

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  55. É inadmissível que haja nos dias de hoje estrutura subumana como a do Hospital Colônia de Barbacena, os pacientes com alterações mentais são seres humanos igual a todos os outros e devem ter direitos iguais, poder ter uma vida social.
    Ainda se está longe de se ter um modelo ideal para se tratar pacientes com alterações mentais, mas esse pacientes tem um suporte e um auxilio muito grande do CAPS para poder ter uma reinserção social, o que constituiu um grande avanço em relação aos manicômios. Hoje os “loucos” não são mais presos, são pacientes como qualquer outro paciente que após melhora de seus sintomas, por cura ou manutenção de tratamento, possam tentar interagir normalmente e ter uma vida social independente. Os resultados que o CAPS obtém com seus pacientes mostra que a maneira como os manicômios tratam os pacientes com distúrbios mentais é totalmente ineficaz e até mesmo prejudicial a esses pacientes, portanto não há motivo para que esses manicômios continuem funcionando.

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